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#1 - 1 Foto 2 Histórias

por Clementine Tangerina, em 30.06.06
"A hora marcada ela espera por ele.
Ela espera e ele não aparece. Os ponteiros avançam velozes, de uma forma cruel que só o tempo sabe ser.
Surdo às preces dela, o tempo passa e ele não chega.
Ela olha o rio, numa tentativa desesperada de limpar a mente de pensamentos tristes, mas nem toda a água do mundo pode apagar a certeza: ele não veio porque não quis. Estar com ela nunca foi um propósito, apenas uma mentira, talvez piedosa.
No meio dos beijos acesos de repente esqueceu-se de perguntar se ele estava mesmo ali, se existia para além de dentro dela.
Os ponteiros avançaram tanto que não deixaram espaço para ele chegar. Foram tão rápidos e eficazes que agora só pode haver outra história. A outra não se apagou - os relógios não apagam, antes as deixam penduradas, como se de fantasmas se tratassem - só não se volta a repetir.
E ela já não espera mais por ele, porque ele já só existe fora dela. "

</span>Por Leididi


</span>" Era uma manhã de sábado. O dia tinha amanhecido sorridente e acolhedor. O Afonso acordou com o salto da gata para a cama, como era hábito aos fins-de-semana, mas desta vez, quando olhou para o lado, estava sozinho. Tomou um duche rápido, vestiu a primeira coisa que encontrou, pegou nas chaves e saiu, com o coração aos saltos.
A Maria saiu de casa cedo, sem fazer barulho. Tirou da mesa-de-cabeceira o bilhete que tinha escrito no dia anterior, deixou-o na sua almofada, beijou a testa que estava na almofada ao lado e despediu-se baixinho com um ‘até já, meu amor’.
São onze horas da manhã de um sábado que acordou bem disposto. Lisboa ainda se está a habituar a estes dias iluminados pela luz que é só nossa. Há poucas pessoas nas ruas. A Maria está num sítio especial. Vê o rio, a ponte e deixa-se levar, embriagada pelo azul imenso (da água e do céu). Não ouve ninguém. Foi ali que tudo começou. E só ali tudo pode recomeçar. Os pensamentos estão longe, imensos mais felizes. Planos que se começam a desenhar sem ninguém saber. Estava envolvida nestes pensamentos quando, sem ter dado pelo tempo passar, se sente abraçada pela cintura. Não se assusta porque aqueles braços são a sua casa. Ela vira-se devagar, vê os olhos húmidos do homem da sua vida e sabe que só podia ser assim. A partir dali tudo vai ser diferente e ambos sabem que não é preciso dizer nada. O bilhete dizia tudo. ‘Estamos à tua espera no nosso sítio, papá!’ "


Por Cristiana Franco

"Não era um dia comum. Para ela estar ali representava o fim de uma história e o inicio de outra.
Não havia vitimas nem feridos, apenas histórias do passado e pessoas que já não faziam parte desse seu mundo.
Era uma terça-feira calma, não havia o habitual transito nas ruas, nem as crianças nas ruas a avisarem que o verão chegou.
A senhora da esquina que era habitual estar a contar as nuvens, também não estava na sua janela de sempre.
Mas o que fazia ela ali, questionou-se enquanto observava o Tejo. Será que se teria enganado na cidade ou mesmo de pais?
Virou costas e estava decidida a partir, mas não foi capaz a ansiedade de ficar ali mais alguns minutos, como forma de relaxe."

Por Clementine Tangerina




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