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As perguntas...

por Clementine Tangerina, em 02.07.09


(...) Leonor apressou-se a ir tomar banho, sem dar por isso riu às gargalhadas enquanto estava debaixo do duche. «...mas que coisa, quem me haveria de dizer que ainda iria conhecer um Deus Grego aqui neste fim do mundo..quem diria!»! Esfregou bem o couro cabeludo, lavou-se com o gel de banho de mel e nozes que adorava e colocou o óleo para hidratar a pele no fim do banho.
Foi até ao quarto, abriu o armário e ficou na dúvida se levava uns calções ou um vestido...«talvez os calções...o vestido pode suar a exibicionismo....pode parecer que estamos a ter um encontro....naaaaa vou levar uns calções e um top e está feito...».
Vestiu uns calções curtos com padrão azul às flores e escolheu um top branco, para rematar o modelito colocou uma encharp azul turquesa ao pescoço e calçou as suas havaianas brancas. Perfume aqui e ali, tirou o excesso de agua do cabelo, agarrou nos óculos de sol e lá foi ela ter com Raul.
Rapidamente chegou a casa dele, bateu à porta e esperou que ele aparecesse, e nada. Voltou a bater, e de longe da casa ouviu a voz dele.
- Leonor ? Entra...atrasei-me um pouco...ainda estou no banho...entra e fica à vontade.

Aquelas foram as palavras certas para ela, qualquer mulher gosta de conhecer o mundo de um homem sem ele estar por perto. Leonor sentiu-se espantada com a quantidade de livros que Raul tinha na sala, e as obras de arte que tinha pelo corredor da sala que dava para os quartos.
Observou que em cima de uma secretária que existia num canto haviam imensas cartas por abrir, e o que mais lhe chamava a atenção é que não eram cartas de cobranças, mas sim de pessoas diferentes. Estranhou as cartas, mas foi interrompida nos seus pensamentos pela voz de Raul.
- Só mais um minuto, desculpa, mas ligaram-me e tive que tratar de algumas coisas de trabalho e acabei por me atrasar.
- Não faz mal nenhum, ainda temos tempo.

Pouco depois Raul apareceu na sala de cabelo molhada com uma t-shirt laranja e uns calções de ganga. Perfumado q.b e com a barba feita. Quando o viu Leonor pensou para si «...isto é mesmo um Deus grego...Jesus...ainda por cima foi fazer a barba...não há mulher que aguente....enfim...Leonor respira fundo e faz favor de não te derreteres toda
Nesse instante Raul percebeu que ela estava um pouco ausente e chamou-a terra:
- Leonor, está tudo bem ?
- Ahhh sim, estava só a pensar no que precisava comprar no mercado...
- Então vamos?

Saíram porta fora, e calmamente seguiram para o mercado, pelo caminho pararam para tomar café e para espanto de Leonor, toda a gente conhecia Raul e percebia-se que nutriam um carinho especial por ele. Estranhou tudo aquilo e não perdeu tempo a fazer-lhe perguntas:
- És muito conhecido por aqui!
- Não sou conhecido...moro aqui muitos meses do ano, por isso é natural que todos me falem, às pessoas daqui são assim mesmo, muito dadas e muito simpáticas.
- Zarco é o teu apelido ?
- Porquê ?
- Porque ouvi um dos senhores a chamar-te por Zarco...
- Sim, o meu último nome é Zarco...Raul Meireles Zarco.
- Porque é que esse nome não me é estranho de todo ?
- Não faço ideia! Vamos embora para o mercado ? - Respondeu-lhe Raul tentando fugir da conversa.
- Tudo bem, vamos então...mas vou descobrir de onde conheço o teu nome.

Raul não quis adiantar mais conversa, entraram no mercado e dirigiram-se logo à banca do peixe e Leonor ficou espantada com a variedade de peixe.
- Quanto pesa este Pargo por favor ? parece-me muito grande só para mim...
- Oh menina este Pargo deve rondar o quilo e meio, mais coisa menos coisa...leve é fresquinho e está em óptimo preço.
- Talvez leve, adoro Pargo e está mesmo a apetecer-me. E tu Raul o que vais levar ?
- Não vou levar nenhum peixe.
- Então vens só aos legumes ? - Questionou ingenuamente Leonor.
- Não, nem vou levar legumes...estava a contar que me convidasses para almoçar...mas já vi que és dura de roer.
- Ahhhh então é isso...é claro que te convido...mas pensei que tivesses compromissos por isso não te convidei.
-Pois não tenho...estou livre, pelo menos até as 16h.
- Então está decidido, vamos almoçar Pargo, acompanhamos só com salada ou também queres batata ?
- Por mim só salada, não sou apreciador de batatas...
- Já somos dois...confesso que nem tenho batatas em casa...não uso!

Dirigiram-se à banca dos legumes e compraram alface, alguns tomates, oregãos e pimentos. De regresso a casa Raul carregou com os sacos e perguntou a Leonor.
- Fazemos o almoço lá em minha casa ou vamos para a tua ?
- É melhor na minha Raul, se vais ter compromissos é melhor na minha...assim depois arrumo tudo com calma...na minha é melhor!
- Ok...talvez tenhas razão...mas então o jantar é na minha.
Surpreendida pelo convite tão directo, Leonor olhou para ele espantada.
- Ok, por mim tudo bem...sabes que estou sozinha por isso até me sabe bem companhia às refeições.
-Ahhh então só sirvo para te acompanhar nas refeições...muito bem...ao menos és directa! - Disse-lhe Raul em tom de brincadeira!
- Não é nada disso Raul, percebeste-me mal...desculpa mas não era minha intenção! - respondeu Leonor meia atrapalhada e seriamente.
- Descontrai, estou só a meter-me contigo tontinha!
- Ok...vou pôr a cozer uns ovos para a salada, uma especialidade da minha família...acendes o grelhador que está no terraço ?
- É claro, a senhora manda.

Fizeram o peixe num instante e sentaram-se na varanda a saborear a refeição e a aproveitar o sol.
- Posso fazer uma pergunta indiscreta Leonor ?
- Desde que eu possa fazer outra de seguida...tudo bem!
- Podes....não tenho segredos!
- Não sei não....
- Porque é que vieste para aqui sozinha ? Desilusão de amores ? Cansaço físico?
- Vim porque precisava, o último ano foi muito difícil emocionalmente faleceram-me dois familiares muito próximos, tive um ano muito desgastante a nível de trabalho muitas viagens e muito tempo fora do pais. Precisava desligar mesmo de vez, deixei o telefone desligado para não me incomodaram...todos os anos deixo férias por gozar, nunca usufruo das ferias que tenho direito, por isso este ano decidi que ia gozar de um mês seguido. Sentia-me de rastos, para mim era difícil levantar-me da cama todos os dias, e para mim que gosto de acordar cedo era como estivesse doente.
- Trabalhas em que área?
- Não era suposto ser eu a fazer a pergunta agora ?
- Sim, tens razão! Então faz! - Concordou Raul.
- Eu respondo à tua pergunta e tu respondes à tua própria pergunta! De acordo ?
- Sim, tudo bem!
- Trabalho numa agência de publicidade na área de marketing.
- Publicidade ? Bem quem diria...tens um ar tão sereno e tranquilo...não pareces nada trabalhar nessa área!
- Aprendi a ser discreta...na minha profissão ganho mais em ser assim...mas responde-me tu o que fazes da vida para além de estares constantemente de férias.
- Não estou constantemente de férias, mas considero que tenho uma boa vida. Organizo o meu trabalho em função da minha vida e das minhas vontades.
- Bem isso não é para todos...que bela vida...não me digas que és contrabandista!
- Contrabandista ? De onde tiraste essa ideia?
- Estou a brincar! Mas o que fazes mesmo ?
- Bem digamos que vou escrevendo umas coisas!
-Ahhhhhhhh! Já sei de onde conheço o teu nome...já sei...que vergonha...não vi logo quem tu eras...que vergonha...era minha obrigação saber...
- Qual obrigação Leonor, estás tonta ou quê? Ninguém tem obrigação nenhuma... sou um cidadão como outro qualquer. Antes de ser escritor sou uma pessoa como outra qualquer.
- Sim claro que sim, mas és um Nobel...não és um escritor qualquer!
- Leonor vamos esquecer isso está bem...sou o Raul e tu a Leonor...as nossas profissões não são para aqui chamadas! (...)

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12 comentários

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De Ana a 03.07.2009 às 12:25

Então continua porque tens muito jeito mesmo.
Fica a resposta do resto dos textos.
Beijos
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De Miguel a 03.07.2009 às 14:13

(palmas!) Muito bem! Cheira-me que esta história ainda vai dar panos para mangas...
Vou continuar a seguir!
Beijo.

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