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Desafio - Caixa ...

por Clementine Tangerina, em 04.07.09

(...) " O fim de semana passou. A caixa estava guardada no fundo do armário. Os jogos nunca foram o seu forte. Gostava das coisas claras, sem mistérios. Mas no fundo aquele estava a saber-lhe bem. Já há muito que não se sentia alvo de atenção.Na quarta-feira seguinte, à saída do escritório, o porteiro abordou-a:- Tem um envelope para si.“Outra vez” – pensou ela.-Viu quem a entregou?-Veio pelo correio com instruções para lhe ser entregue quando saísse.-Obrigado.Foi para casa com o envelope na mala. Não a queria abrir. Quando chegou a casa o telefone toca. “Tens medo de o abrir?”.Pousou a mala na mesa do hall e furiosa dirigiu-se ao quarto. Foi buscar a caixa que tinha no armário e -la à entrada de casa,juntamente com as flores já meio murchas, a garrafa vazia e o envelope por abrir. Fechou a porta violentamente e agarrou no telemóvel. Sem pensar enviou a sms que já devia ter enviado há mais tempo. Para elaos limites tinham sido ultrapassados. Não se gostava de sentir manipulada, observada.Sentou-se no sofá. Estava nervosa, sentia-se frustrada. Por um lado curiosa de saber quem se dava tanto ao trabalho de a observar. Por outro a palavra tarado não parava de lhe assombrar o espírito.Enquanto estava a divagar entre os conceitos de romântico e perseguidor o telefone toca. Uma, duas, três vezes.“Compreendo a tua frustração. Sei o que deves estar a pensar. Faz-me só um favor e abre o envelope. Prometo que vai valer a pena. Se houvesse outra maneira, juro-te que não a deixava confusa nem nervosa.Mas julgo ser esta a única maneira de te poder mostrar como me sinto,o que sinto por ti. De outra maneira tu rejeitavas-me, nem ouvias o que tinha para dizer. Só assim consigo mostrar-te a minha alma, o meu interior, mostrar-te daquilo que sou capaz de fazer, de te fazer, de te fazer sentir. Arrisca, nem que seja uma vez na tua vida”.Ficou a pensar naquilo. Com medo que algum vizinho passasse e achasse estranho o estendal à porta de casa trouxe tudo para dentro. As flores tinham sido mudadas, o vinho tinha sido reposto. Um CD acompanhava agora o envelope. Já não se sentia preocupada nem com medo. Algo dentro dela dizia-lhe para confiar. Com as mãos trémulas abriu o envelope. Lá dentro uma carta dobrada e um cartão de um restaurante.Pôs o CD a tocar e, embalada pela música de Nina Simone encheu um copo, recostou-se no sofá e desdobrou a carta. "
por João F. Freire





A carta estava delicadamente escrita, notava-se que tinha sido muito bem idealizada e que tinha sido relida várias vezes. Ao longo da Carta foi descobrindo pistas que a levavam ao autor. "Sempre te admirei e sempre me quis reaproximar de ti, mas tu meteste um ponto final sem me dizeres concretamente o porquê...uma relação mal resolvida, um amor mal acabado disseste-me tu, mas não tive a certeza das tuas palavras.". Remoeu aquelas palavras que ali estavam escritas, não tinha tido assim tantas relações para que não soubesse claramente quem era. Começou a juntar as peças do puzzle e obviamente só podia ser Diogo, tinha tido uma relação relâmpago com ele, mas sempre soube que ele gostava dela desde que tinham feito uma pós graduação juntos. Morava perto dela, tinha um primo que era seu vizinho por isso seria fácil para ele colocar-lhe o vinho à porta sem ser considerado uma pessoa estranha no prédio. Agora que reflectiu bem sobre a hipótese de ser ele o autor daquilo tudo, pensou que era óbvio que era ele, inclusive tinha-se cruzado com ele num destes dias a sair da garagem do prédio...fazia todo o sentido, era ele! «...sacaninha...não desistiu...».

Rita encostou-se tranquilamente, e respirou fundo. O alivio de ser Diogo tranquilizou-a e por momentos sorriu e reviveu todas as surpresas que tinha feito. Fazia sentido, ter deixado o vinho, ele conhecia muito bem Matilde, a sua empregada, por isso tinha sido tão fácil surpreende-la.

Mas Rita não se deixou dar por vencida, e continuou o jogo com Diogo, enviou-lhe uma sms que o deixaria completamente confuso! « Há dias e dias, hoje não me apetece jogar, talvez amanhã, talvez nunca mais...sinta-se à vontade para desistir que eu já o fiz!»

Conforme enviou a sms, a campainha da porta tocou, pensou que seria mais uma das surpresas de Diogo, como já era habitual, mas estava completamente enganada.

Abriu a porta e deixou cair tudo o que tinha na mão, a carta, o telemóvel bateram no chão e o olhar de Rita revelou surpresa e ao mesmo tempo algum receio da visita de última da hora. (...)

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1 comentário

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De Bibendum a 05.07.2009 às 15:43

...e mais.... :( (o suspense mata-me :D)

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