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Fugas Descaradas...

por Clementine Tangerina, em 25.06.09

Era considerada por todos uma mulher simpática, inteligente mas reservada. Não se dava logo quando conhecia alguém, para ela a confiança era algo que tinha que ser conquistado e alimentado, caso contrario não os considerava amigos.
Para sua casa só convidava pessoas que eram realmente amigas, e por vezes isso provocava alguns conflitos com os amigos porque lhe diziam que ela tinha que mudar, que assim não conseguiria fazer novas amizades. E ela com ar de pouco preocupada dizia-lhes sempre o mesmo «tenho-vos não preciso de mais ninguém...já me bastam vocês para me atormentarem o juízo...».
Tinha dito algumas desilusões nos últimos anos e por esse facto acabou por se tornar mais reservada. Fazia questão em não recordar as histórias passadas e evitava cruzar-se com as pessoas que considerava estar na sua lista negra.
Em miúda tinha a mania de mudar de passeio, quando se cruzava com alguém que não queria cumprimentar, agora já adulta usava a técnica do chapéu de chuva ( quando chovia) e dos óculos de sol.
O seu querido chapéu de chuva já lhe tinha safado de alguns situações desagradáveis, ex-namorados rodeados dos filhos, amigas que a traíram, casos mal resolvidos. Para todas essas situações tinha sempre o seu chapéu que evitava sempre o contacto visual, baixando a cabeça sempre que havia uma situação perigosa por perto.
Num desses episódios, encontrava-se Júlia, uma amiga de infância de Ana. Júlia ficou espantada com o jeito para fingir que não conhecia as pessoas por quem passava.
- Tu és incrível, finges com uma subtileza incrível. - sussurrou-lhe a amiga
- Ahhh? Estás a falar de quê ? Não estou a perceber - Fazendo-se de parva
- Ohhh que ingénua que você é...eu vi o Francisco a passar com os filhos e tu também viste...
- Qual Francisco ? Não me escondi de ninguém...
- Ainda sentes alguma coisa por ele ? Aiii não posso...tu ainda ficas mexida quando o vês!
- Cala-te, és ridícula... eu com saudades daquele anormal...pleasse...era o que mais me faltava! Podemos continuar ? Não quero chegar atrasada ao almoço.

Ana vivia frequentemente episódios deste género, os amigos chamavam-na à razão e ela sempre a desmentir. Já fazia parte do seu dia a dia. Cruzava-se infelizmente com muita frequência com algumas personagens da sua vida passada que preferia evitar.
Um dos episódios mais caricatos foi passado com um amigo especial com quem andava a sair. Depois de terem passado a noite juntos, foram tomar o pequeno-almoço a um café perto da casa dela. Ao entrarem Ana afastou-se do rapaz e foi cumprimentar um casal:
- Olá Ana, está tudo bem ? - Perguntou uma senhora
- Está tudo bem obrigado e com os senhores ? - Questionou educadamente Ana
- Estamos óptimos...felizmente! Então namorado novo?
- Não, é apenas um colega de trabalho! - Mentiu descaradamente, tentado fugir da situação.
A conversa foi de circunstancia e ela despediu-se formalmente dos senhores e voltou para a mesa onde o rapaz a esperava.
- Então alguém conhecido ?
- Sim! - respondeu friamente
- Parecem simpáticos!
-São.
- Estás a esconder alguma coisa ?
- Não, eram os pais do Manel...
- Manuel ? Aquele Manel...com quem estiveste noiva ?
- Sim...
-Ahhhh bonito...é sempre bom encontrarmos os ex-sogros!

É claro que tanto para ele como para ela o pequeno-almoço já não foi saboreado da mesma maneira. Apressaram-se para sair dali o mais rapidamente possível, sem falar mais do assunto.
Naquele instante só teve vontade de ter o seu chapéu de chuva para se esconder.
«As vezes só me apetecia ir viver para a província e assim evitar estas cenas» falou para si em voz alta depois de se ter despedido do amigo.
Estava a tentar entrar no prédio quando foi surpreendida com uma voz que lhe era familiar atrás de si. Não podia ser a pessoa que estava a imaginar, não podia mesmo. Antes de se virar fechou os olhos e não quis visualizar aquela pessoa. Mas talvez estivesse enganada.


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2 comentários

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De Goma a 25.06.2009 às 17:20

Era o Manel...
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De Versos Brancos a 25.06.2009 às 18:55

Quem será a pessos...
Tb quero um chapeu desses...

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