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Misteriosa Atracção...

por Clementine Tangerina, em 12.05.09






Quando me contou a história só pude dizer-lhe "não queria estar no teu lugar...", não era pela história em si, era pela angústia que seria ter uma história daquelas, entre mãos.

Na altura ele solteiro mas com namorada e ela casada e com um filho.
A história começou quando tinham trabalhado juntos, num projecto fora de Portugal que exigia que ambos estivessem distantes da família.
Durante seis longos meses começou a existir uma amizade entre eles, com muita cumplicidade e muito carinho entre eles.

O facto de ela falar muito no seu filho fazia com que ele ficasse também à vontade para não se preocupar com possíveis envolvimentos. Ambos sabiam que estavam ali para cumprir com as suas funções e regressar para as suas famílias.
Com o passar do tempo ela começou a perceber que ele era realmente um ser humano admirável, que lhe gabava a simplicidade, a inteligência e a forma de ser e de estar. Sem dar por isso começou a olhá-lo com outros olhos, a gostar de lhe mandar umas piadas para o provocar, mesmo sabendo que nunca iria passar disso mesmo. Piadas.
Para ela nunca existiram segundas intenções, pois via nele um amigo, alguém com quem gostava de criar uma amizade mais forte, alguém com quem gostava de lidar no dia a dia.

Ele por seu lado, envolvido no trabalho raramente deu importância as piadas dela, mas registou-as, sabia que existia algo ali mas que provavelmente não deveria ser mexido para não complicar.
Ela acabou por desabafar com ele questões de trabalho e ele foi na onda e também acabava por se apoiar nela visto estarem ambos longe de casa.
Os seis meses passaram rapidamente, um vivia no centro do pais e o outro no interior e por isso só se falavam de tempos em tempos e era sempre de uma maneira cordial mas sempre com a tal piada provocadora pelo meio.
Ele casou entretanto, ela ficou a saber só alguns meses depois...não ficando feliz por ter sabido...havia algo nela que não tinha gostado, mas não sabia explicar porquê.

Algum tempo depois voltaram a falar por email e desta vez foi ele a provocar, pois queria saber afinal o que é que havia por ali mal resolvido que nunca ficou a saber...ela por sua vez ficou espantada com a frontalidade dele. Ele perguntou-lhe quando é que combinavam o tal almoço do qual tinha falado havia meses, e ela respondeu-lhe que já tinha estado na sua cidade várias vezes, mas que tinha sido de passagem e que queria estar com ele o maior tempo possível.

Mais uma vez ele ficou com a pulga atrás da orelha, pois ela voltava a fazer os jogos que tinha feito anteriormente, com vontade de resolver e saber afinal o que existia entre eles, ele disse-lhe que podia combinar quando lhe fosse conveniente.
Email para cá, email para lá e ela acabou por lhe revelar que achava que entre eles existia uma misteriosa atracção, existia algo que só eles sabiam, e que só eles percebiam. Que o facto de nunca ter existido nada entre eles, talvez criasse um mistério só comparado à velha história da caixa de pandora. Ele pela primeira vez acabou por concordar com ela, "sim, talvez exista...mas conheces a história da pandora?" e ela rapidamente chegou ao ponto que ele se referia "sim, claro que sim, mas não iremos criar assim tanto mal quando a abrirmos..."!
Ele começava a ficar confuso, por um lado ela tinha-lhe tocado num ponto que tinha decidido nunca tocar, uma história que tinha ficado no passado e que tal como ela disse e bem, não passou de um mistério, de algo importante para eles mas que talvez não fosse mais que isso, uma atracção. Por outro lado ambos tinham uma familia e não se sentia bem por estar naquela posição, afinal nunca tinha havido nada entre eles até então, e se de repente no tal almoço surgisse algo? As dúvidas ficaram no ar.

Num dos email ela apressou-se a dizer-lhe que nunca tinham existido segundas intenções com ele, que existia a tal química, mas que nunca a tinha feito pensar em algo carnal, mas se um dia lhe passasse pela cabeça tal coisa era sem dúvida ele a pessoa com que gostava de ter segundas intenções e perguntou-lhe se ele sentia o mesmo que ela. E ele atrapalhado mas certo das suas palavras disse-lhe "...não podia estar mais de acordo."!


A partir desse momento chegaram os dois a um acordo, que afinal tudo aquilo que se tinha passado há alguns anos atrás, tinha estado adormecido e que num simples clique tinha sido acordado.

E é aqui que eu distante da história, distante do que me foi contado me questiono...se isto não me podia acontecer, se não podia estar no papel de um "ele" ou de uma "ela" ou mesmo ser as "terceiras pessoas". Com o passar dos anos percebi que o ser humano é difícil de lidar, porque traição é aquela que é física mas também é a que é feita psicologicamente e quer queiramos quer não, estarão estes dois a trair os seus maridos e mulheres ? Será que a partir do momento que uma pessoa se sente atraída por outra já podemos considerar que está a trair? É dificil explicar, é difícil aconselhar e ainda mais pôr-me no lugares deles.

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13 comentários

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De Beguinha a 12.05.2009 às 10:18

Fogo... às vezes vir aqui é levar cá com um murro no estômago!
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De Allie a 12.05.2009 às 10:57

Eu penso assim... Se descobrisse que o meu namorado apesar de ter uma relação comigo, tinha o pensamento noutra mulher, ponderando se devia levar avante um envolvimento, poderia não ser traição no sentido de infidelidade, mas sem dúvida que não estava a ser correcto/ honesto comigo. Eu quero que a pessoa que está comigo, seja namorado, seja marido, o faça porque é de mim que gosta, é em mim que pensa, que deseja, e porque não há outra que o faça sentir o mesmo que eu faço. Se não for assim, está a enganar-me, ao levar-me a crer que sente o mesmo que eu e ao não dar-me a oportunidade de decidir escolher ou procurar a verdadeira cara-metade que todos ansiamos.
Ninguém gosta de sentir que é a 2ª escolha, que estão conosco porque não arranjaram melhor, ou por pena. Eu não gosto, pelo menos.
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De Segredo Cor de Rosa a 12.05.2009 às 11:21

Já uma vez escrevi sobre um tema parecido.
Acho que é daquelas coisas que não se podem afirmar veemente que nunca nos podem acontecer... porque não sabemos.
há pessoas que conhecemos, andam desaparecidas que tempos, e um dia surgem de uma forma completamente diferente. e tocam-nos. daquela forma que ninguém explica, porque só quem sente o sabe...
é difícil. mas eu acredito que nada acontece por acaso.
escreveste este artigo muito bem. adorei.
bjnho
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De Anónimo a 12.05.2009 às 13:19

este é um tema pertinente e por vezes actua como um pau de dois bicos.
a fidelidade quanto a mim, é muito subjectiva, pois como podemos ter a certeza de aquela pessoa com todos as qualidades e defeitos por quem nos apaixonámos e com a qual sonhámos envelhecer lado a lado, e ultrapassar na vida o bom e o mau é aquela?
eu neste momento só sei que nada sei. ando completamente as escuras.
a vida neste momento faz pouco sentido.
como diz a canção:eu já não sei o que é sentir o teu amor...
enfim, de vez em quando escrevo no meu bloguinho,é uma forma de catarse.
haverá sempre temas para pensar e comentar.
ser a 1ª escolha?
há muito que sinto que não sou.
bj.
mg

z
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De de Marte a 12.05.2009 às 21:27

Não é possível exigir (a nós próprios ou ao companheiro) a tal "fidelidade" mental. Não é possível porque muitas vezes essas terceiras pessoas ficam guardadas no reino das possibilidades, das incertezas, das fan-ta-si-as. Quantas vezes não pensei eu "e se...?"?!?! Só que há coisas que não são para averiguar. Guardam-se, sentem-se e saboreiam-se na solidão.
Nem me parece saudável explorar todos esses sentimentos. Há-que discernir a realidade da fantasiae saber que a atracção física ou as pulsões sexuais estão muitas vezes na base destas "faíscas" que sentimos por aí.

E todos sabemos que se formos nós a sentir não há problema nenhum porque "é só um amigo", mas se for o nosso companheiro, achamos logo uma barbaridade duma traição.

Verdade ou mentira?
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De sakura a 12.05.2009 às 22:48

Este tema é demasiado familiar para mim. Também eu passei por algo semelhante. Uma vez ouvi dizer que se fizessemos alguma coisa que nunca fariamos em frente ao nosso namorado/marido, ou que nunca quisessemos que ele soubesse era considerado traíção...mas não sei se é essa a minha definição. Deixaste-me algo em que pensar...
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De Anónimo a 13.05.2009 às 15:21

Para mim traição não é algo somente físico. É algo que sabemos que estamos a fazer mas que omitimos. Omitimos porque vemos algo errado. Não estamos a ser honestos, logo estamos a trair. Se encobrimos que brincamos com um "colega de trabalho ou de faculdade" é porque achamos que o nosso parceiro vê mal nisso. E se achamos isso é porque já nós próprios temos a noção de que estamos a agir mal.
Ana
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De Anónimo a 13.05.2009 às 15:25

Sakura disse "Uma vez ouvi dizer que se fizessemos alguma coisa que nunca fariamos em frente ao nosso namorado/marido, ou que nunca quisessemos que ele soubesse era considerado traíção". Dei exactamente isso em Psicologia! E não poderia estar mais de acordo.Acho que se mudamos os nossos actos consoante a presença do nosso parceiro é porque estamos a agir como se fossemos duas pessoas: o "eu" com o meu parceiro e o outro "eu" quando ele não está. Sou o tipo de mulher que age de forma igual na presença do meu parceiro. Ele não é assim. Todos agimos de forma diferente acho que devemos preocupar-nos sempre em não magoar "o outro". Nem nós próprios. Deixar de criar diferentes identidades.
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De Nanda a 13.05.2009 às 21:58

Acredito piamente que a traição não é apenas a física. Também se trai em pensamento, e mais doloroso ainda. Quem gostaria de saber que o seu companheiro(a)não deixava de pensar em tal pessoa.
Acreditem-me, sei do que falo, em 100 relacionamentos 80 já experimentaram essa agulhazinha da traição. Uns ultrapassaram e perdoaram em nome do amor? outros não suportaram e partiram.
Conheço relacionamentos acima de qualquer suspeita, constituídos por pessoas lindas, brilhantes etc, etc, que já foram e são picados por esse bichinho.
Não conheço o antídoto mas recomendo: muita atenção, o perigo mora ao lado
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De Rapunzel a 14.05.2009 às 13:57

Não acho que seja preciso concretizar fisicamente para haver traição. Penso que o facto de haver disponibilidade emocional para outra pessoa...já não é muito bom sinal!
Been there... é mto difícil de lidar e ainda mais difícil de explicar.

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