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O jogo continua...

por Clementine Tangerina, em 14.07.09

(...)

- Olá Diogo tudo bem? - cumprimentou Martim
- Olá, há muito que não te via...não sabia que vocês eram amigos?! - afirmou Diogo surpreendido com o «amor» de Rita e por encontrar Martim na casa desta.
- Éramos amigos, mas já não somos mais! O Martim estava mesmo de saída, não é? - disse Rita com um ar de poucos amigos.
- Sim, sim, estava mesmo de saída...felicidades para o vosso casamento e que corra tudo bem!

Diogo estranhou toda aquela situação, e não perdeu tempo em perguntar a Rita de que falava Martim, sem perder muito tempo em explicações Rita disse-lhe:
- Ahhh não é nada de especial, ele estava a melgar-me e lembrei-me de ti e disse-lhe que iamos casar...
- Mas porque haverias de te ter lembrado de mim ? Já não nos falamos há tanto tempo....
- Ohhh Diogo, deixa-te de brincadeiras...é claro que me lembrei de ti, por tudo o que me tens enviado...só podia ter falado em ti...não me lembraria de mais ninguém...
- Mas que coisas é que eu te enviei ? Não faço ideia do que estás a falar...
- Ohhh então?! deixa-te lá de coisas...sabes que não gosto nada destes joguinhos..e por isso não liguei nenhuma ao principio...
- Oh Rita, eu acho que tu tens um grave problema...mas creio que não sou eu a resposta para ele.
- Estás a falar a sério Diogo? Não foste tu que me enviaste, o vinho, o cd, as cartas, as flores e o casaco?
- Não, creio que te vou desiludir mas não fui eu...até que não era má ideia, mas infelizmente não o fiz. Houve algum homem mais rápido que eu, que se antecipou...
- Estou a ficar preocupada, juro que estou!
- Mas o que é que se passa afinal ?

Rita resumiu rapidamente toda a história a Diogo, que em algumas partes riu às gargalhadas da ousadia do admirador secreto.
- Oh Rita, não sei se te deves preocupar...é um facto que ele conseguiu sempre que as suas surpresas chegassem até ti, mas não creio que seja perigoso...nota-se que está completamente apaixonado...mas isso também não é difícil. Até eu já estive...
- Deixa-te dessas coisas Diogo, não acho piada...seja lá quem for que está a fazer este joguinho está a ir longe demais. Cheguei a pensar que eras tu, pela maneira como ele me conhecia, só podias ser tu...e juro que até estava a achar uma certa piada.
- Ai sim ?
- Claro que sim, és especial para mim e sempre serás...
- Ahh especial...estou a ver...mas não passarei disso mesmo...
Enquanto estavam na sala a beber café o telefone de Rita recebeu uma sms, ela levantou-se e foi buscar ao Hall da entrada do telemóvel que tinha ficado esquecido quando Martim tinha chegado.
« Bem Rita, hoje a tua casa está um corrupio...não há mais nenhum homem para chegar ?» Rita leu a sms em voz alta e acabou por dizer:
- Sacana, sacana...ele anda-me a vigiar...só pode...repara ele sabe que o Martim esteve cá e agora sabe que tu também estás cá...
- Deixa ver se vejo alguém suspeito aqui da janela...
- Não espreites muito pois se ele me está a vigiar vai ver que estamos a tentar saber quem é...e vai perceber que estamos a dar-lhe importância e isso eu não quero.
-Ohh Rita ele já percebeu que te está a incomodar e isso já não há nada a fazer.
- O que achas que faça? Vou à policia?
- Não sei, mas acho que não te vai adiantar de nada...afinal tudo isto parece um admirador secreto...não existe nenhuma ameaça concreta, perante a lei não estás em perigo...pode ser qualquer um...
- Pois eu sei...mas estou a dar em doida...
- Queres ir dar um passeio para mudares de ares?
- Vamos...afinal ainda não me contaste porque é que vieste até cá...

Rita trocou de roupa rapidamente enquanto Diogo tentava perceber se existia alguém a vigiar a casa, em segundo estavam prontos a sair.
No elevador, foram a rir das fofocas que Diogo trazia fresquinhas da revista onde trabalha, Rita adorava que ele lhe contasse histórias que nunca vinham a público. O elevador chegou ao piso 0 e estavam a preparar-se para sair quando repararam que um fulano de fato escuro estilo italiano entregava na recepção do apartamento um ramo de flores.
Por segundo Rita olhou para Diogo e ambos tiveram a mesma reacção, correr para apanhar o homem.

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Uma Surpresa nunca vem só...

por Clementine Tangerina, em 09.07.09



(...) A visita não estava de todo programada, pediu desculpa pelo susto e apanhou do chão o telemóvel e a carta que tinha recebido. Autorizou o seu convidado a entrar e encaminhou-a até à sala.

- O que fazes por aqui ?
- Vim saber como estavas!
- Estou bem, tranquila.
- Isso é o que é preciso!
- Algum motivo para esta visita assim de um dia para o outro? Segundo me constou estavas a viver em Roma, regressaste de vez?
-Não, vim só de férias...efectivamente estou em Roma consegui trabalho no gabinete de Património Mundial e estou a adorar.
- Pois acredito que sim, sempre foi esse o teu desejo conseguires ir viver para longe de Portugal.
- Longe não...mas queria viver fora por uns tempos.
- Conseguiste.
- É verdade consegui.
-Mas não estou a perceber o porquê da tua visita.
- Acho que me senti com alguma culpa por ter ido embora de um dia para o outro e não me ter despedido como devia de ti.
- Não havia motivo para te despedires de mim, afinal eramos só amigos...
- Sabes tão bem como eu que não éramos SÓ amigos...
- Martim, dormíamos juntos alguns dias por semana, saiamos para jantar e ponto final.
- E achas pouco?
- Acho...alias faço um esforço para achar...afinal de contas tu mesmo acabaste de dizer que te foste embora sem te despedires decentemente, se eu fosse tua namorada com certeza o teu comportamento não teria sido esse.
- Tens razão, e é por isso mesmo que vim ter contigo...para te pedir desculpa por tudo o que se passou.
- Ahhh não faz mal...já está mais que ultrapassado...
- A sério?
- Claro que sim...estou noiva, vou casar no final do ano!
-Ahhhhhhhhh? Noiva? Mas eu sai de Portugal há oito meses...
- Meu querido em nove meses nasce uma criança...por isso...em oito tudo pode acontecer!
- Quem é ele?
- O Diogo!
- Qual Diogo?
- Diogo Menezes Ferreira
- Estás a gozar comigo, Rita?!
- Não, não estou...estamos muito apaixonados e achamos que é a atitude certa.
- Tu és completamente louca...estás a fazer isto por vingança?
- Vingança? De quê? Desde quando casar é uma loucura?
- Eu amo o Diogo, ele ama-me por isso nada nos vai impedir de ficarmos juntos...!


Rita sem que Martim Percebesse riu das palavras que tinha acabado de dizer, mas concentrou-se para que tudo aquilo saísse natural.
Martim ainda não estava totalmente convencido e bombardeou-a de perguntas e mais perguntas.
- Mas como foi essa aproximação ? Quando se vão casar? Onde vão viver?
- Ohhhh Martim por favor, achas que tens o direito de me pedires explicações?
- Porque não?
- Get a Life...por favor...és ridículo...o teu tempo já passou...a nossa relação foi passado! Esquece...e se não te importas gostava que saísses...
Conforme se encaminhou para a porta, alguém tinha acabado de tocar à campainha.
- Olá meu amor, entra...já conheces o Martim? Ele está mesmo de saída...

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Desafio - Caixa ...

por Clementine Tangerina, em 04.07.09

(...) " O fim de semana passou. A caixa estava guardada no fundo do armário. Os jogos nunca foram o seu forte. Gostava das coisas claras, sem mistérios. Mas no fundo aquele estava a saber-lhe bem. Já há muito que não se sentia alvo de atenção.Na quarta-feira seguinte, à saída do escritório, o porteiro abordou-a:- Tem um envelope para si.“Outra vez” – pensou ela.-Viu quem a entregou?-Veio pelo correio com instruções para lhe ser entregue quando saísse.-Obrigado.Foi para casa com o envelope na mala. Não a queria abrir. Quando chegou a casa o telefone toca. “Tens medo de o abrir?”.Pousou a mala na mesa do hall e furiosa dirigiu-se ao quarto. Foi buscar a caixa que tinha no armário e -la à entrada de casa,juntamente com as flores já meio murchas, a garrafa vazia e o envelope por abrir. Fechou a porta violentamente e agarrou no telemóvel. Sem pensar enviou a sms que já devia ter enviado há mais tempo. Para elaos limites tinham sido ultrapassados. Não se gostava de sentir manipulada, observada.Sentou-se no sofá. Estava nervosa, sentia-se frustrada. Por um lado curiosa de saber quem se dava tanto ao trabalho de a observar. Por outro a palavra tarado não parava de lhe assombrar o espírito.Enquanto estava a divagar entre os conceitos de romântico e perseguidor o telefone toca. Uma, duas, três vezes.“Compreendo a tua frustração. Sei o que deves estar a pensar. Faz-me só um favor e abre o envelope. Prometo que vai valer a pena. Se houvesse outra maneira, juro-te que não a deixava confusa nem nervosa.Mas julgo ser esta a única maneira de te poder mostrar como me sinto,o que sinto por ti. De outra maneira tu rejeitavas-me, nem ouvias o que tinha para dizer. Só assim consigo mostrar-te a minha alma, o meu interior, mostrar-te daquilo que sou capaz de fazer, de te fazer, de te fazer sentir. Arrisca, nem que seja uma vez na tua vida”.Ficou a pensar naquilo. Com medo que algum vizinho passasse e achasse estranho o estendal à porta de casa trouxe tudo para dentro. As flores tinham sido mudadas, o vinho tinha sido reposto. Um CD acompanhava agora o envelope. Já não se sentia preocupada nem com medo. Algo dentro dela dizia-lhe para confiar. Com as mãos trémulas abriu o envelope. Lá dentro uma carta dobrada e um cartão de um restaurante.Pôs o CD a tocar e, embalada pela música de Nina Simone encheu um copo, recostou-se no sofá e desdobrou a carta. "
por João F. Freire





A carta estava delicadamente escrita, notava-se que tinha sido muito bem idealizada e que tinha sido relida várias vezes. Ao longo da Carta foi descobrindo pistas que a levavam ao autor. "Sempre te admirei e sempre me quis reaproximar de ti, mas tu meteste um ponto final sem me dizeres concretamente o porquê...uma relação mal resolvida, um amor mal acabado disseste-me tu, mas não tive a certeza das tuas palavras.". Remoeu aquelas palavras que ali estavam escritas, não tinha tido assim tantas relações para que não soubesse claramente quem era. Começou a juntar as peças do puzzle e obviamente só podia ser Diogo, tinha tido uma relação relâmpago com ele, mas sempre soube que ele gostava dela desde que tinham feito uma pós graduação juntos. Morava perto dela, tinha um primo que era seu vizinho por isso seria fácil para ele colocar-lhe o vinho à porta sem ser considerado uma pessoa estranha no prédio. Agora que reflectiu bem sobre a hipótese de ser ele o autor daquilo tudo, pensou que era óbvio que era ele, inclusive tinha-se cruzado com ele num destes dias a sair da garagem do prédio...fazia todo o sentido, era ele! «...sacaninha...não desistiu...».

Rita encostou-se tranquilamente, e respirou fundo. O alivio de ser Diogo tranquilizou-a e por momentos sorriu e reviveu todas as surpresas que tinha feito. Fazia sentido, ter deixado o vinho, ele conhecia muito bem Matilde, a sua empregada, por isso tinha sido tão fácil surpreende-la.

Mas Rita não se deixou dar por vencida, e continuou o jogo com Diogo, enviou-lhe uma sms que o deixaria completamente confuso! « Há dias e dias, hoje não me apetece jogar, talvez amanhã, talvez nunca mais...sinta-se à vontade para desistir que eu já o fiz!»

Conforme enviou a sms, a campainha da porta tocou, pensou que seria mais uma das surpresas de Diogo, como já era habitual, mas estava completamente enganada.

Abriu a porta e deixou cair tudo o que tinha na mão, a carta, o telemóvel bateram no chão e o olhar de Rita revelou surpresa e ao mesmo tempo algum receio da visita de última da hora. (...)

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A Caixa

por Clementine Tangerina, em 24.06.09








(...) Depois do vinho, das peonias e das sms's não haviam dúvidas para ela que aquilo só podia ser de alguém que a conhecia muito bem.
Tomou coragem e pegou no telemóvel para ligar ao número de telefone que lhe tinha andado a enviar as ditas sms's.
Chamou, chamou nada, ninguém atendia. Começou a ficar furiosa, com toda aquela situação. Tinha que fazer alguma coisa, não podia passar daquele dia.
Insistiu novamente, mas sem ter esperança que atendessem.
- Olá Rita curiosa....
- Estou a falar com quem ?
- Calma Ritinha, calma!
- Olhe calma estou eu, quero é resolver de vez toda esta situação!
- Oh Rita diga lá que não está a gostar ? Você até gosta de mistérios e de desafios...este foi apenas mais um!
- De onde é que me conhece para achar que me conhece assim tão bem?
- Se lhe revelasse iria estar a estragar o encanto desta conversa.
- Olhe não tenho muita paciência para estes joguinhos, ou me diz quem fala ou então serei obrigada a desligar.
- Tenha calma Rita, calma!

Entretanto a campainha de Rita tocou, foi até à porta enquanto falava ao telefone com o desconhecido.
Abriu a porta e percebeu que não estava lá ninguém, apenas uma caixa quadrada. Puxou a caixa para casa e continuo ao telefone.
- Então recebeu uma encomenda ?
- Como é que sabe ?
- Que falta de imaginação....faça um esforço e pense...
- Olhe não vou abrir, vou deixa-la onde estava e se quiser vir buscar venha.
- Não é preciso reagir assim, a resposta a todas as suas perguntas está dentro da caixa.
- É preciso ter lata, realmente!
- Não estou a perceber...lata porquê? Estou a ajuda-la a descobrir o tal mistério que julga existir e que não existe!

E a chamada caiu, o desconhecido desligou deixando Rita a pensar no que haveria de fazer. Ou abria a caixa e descobria todo o mistério, ou então podia também optar por ignorar tudo e arriscava-se a que os telefonemas continuassem e as entregas de presentes também.
Pensou, pensou e decidiu que iria abrir a caixa.
Pousou-a no chão da sala e colocou-a entre as pernas. Foi buscar uma tesoura e começou a cortar a fita-cola. De lá de dentro sobressaia um tecido cor de rosa que não dava para perceber à primeira o que seria.
Retirou tudo da caixa e percebeu que era um casaco, precisamente aquele que tinha há muito desejado comprar, mas que nunca o tinha feito por achar demasiado caro. Dentro de uma sacola de cetim branco vinham um vestido preto e uns sapatos a condizer. Procurou ainda dentro da caixa se existia algum bilhete, algo que pudesse identificar quem lhe tinha oferecido o casaco. Não era tarefa fácil adivinhar quem seria, pois durante meses, passou pela loja com diversos amigos e podia ser qualquer um. Fazia questão de lá passar para saber se ainda existia algum para mais tarde comprar.
A dúvida permaneceu, na caixa não existia nenhum bilhete, nenhum sinal. (...)



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Tempo de “dormência”...

por Clementine Tangerina, em 03.06.09

(...)
Estava deitada no sofá a saborear o tal vinho que não conhecia, quando tocaram à porta. Pousou o copo no chão e apressou-se para ir abrir. Espreitou pelo óculo da porta e questionou quem era:
- Florista!
- Mas eu não pedi flores nenhumas, deve haver engano! - Respondeu ela
- Este é o 6º Direito? - Perguntou a voz do outro lado da porta
- Sim é!
- Então são para a senhora... tenho indicação para insistir mesmo que não as queira receber...
- ...que seja! - disse ela!
Abriu a porta contrariada, tinha sempre algum receio de abrir a porta a estranhos, ainda para mais nos dias de hoje pela quantidade de histórias que tem ouvido.
Espantada olhou para o rapaz, e de imediato questionou-o de quem lhe tinha enviado as flores, o rapaz meio atrapalhado explicou-lhe que a pessoa fez o pedido por email e que não vinham dados pessoais.
Intrigada agarrou nas flores, e despediu-se simpaticamente do rapaz.
Foi até a cozinha e meteu as flores em agua. Pouso-as na sala e continuava a matutar sobre todo aquele mistério, primeiro o vinho, depois a sms e agora as flores.
- Mas quem será? Não percebo...não percebo!
Questionava-se enquanto redopiava pela sala e olhava para as flores, teria que ser alguém que a conhecia bem, poucas pessoas sabiam da sua paixão por peonias, e não tinham sido enviadas por um acaso, porque este tipo de flor não se encontra em qualquer lado...e isso ainda a fez ficar mais curiosa de quem estaria a brincar com ela.
O telefone tocou e por momentos esqueceu-se das flores, outra sms " Provavelmente deve estar a questionar quem enviou as peonias, e faz muito bem pois são realmente lindas".
- Mas que coisa, que são lindas sei que que são, mas quem é que me está a querer deixar curiosa, quem?
Sempre com o telemóvel na mão, decidiu responder à sms que tinha recebido "As peonias são lindas, o vinho maravilhoso as sms's irritantes"!
Pensou muito bem antes de enviar, pois estaria a dar importância à situação...mas tudo aquilo não podia passar-lhe ao lado, por isso decidiu enviar.
Ficou com o telemóvel na mão à espera da resposta, passaram alguns minutos e ela cada vez mais ansiosa pela resposta que tardava em chegar!
- Vá, toca...toca...aiiiii que raiiivaa!
E nada, a sms não havia maneira de chegar.
Decidiu ir preparar o jantar visto a sua barriga já começar a dar sinais de algum apetite. Rumou até à cozinha, aumentou o som da música na sala e lá foi ela em busca do jantar perfeito.
Tirou uns legumes frescos do frigorífico, e preparou-se para os começar a arranjar. Colocou o avental e abriu a janela da cozinha para entrar o ventinho quente que se fazia sentir naquela noite.
O telemóvel começou a tocar, e deixou cair tudo como estava e foi à sala buscar o telefone.
- oláááá, seja bem aparecida?
- Beatriz?
- Claro quem mais seria? Que é feito de ti?
- Tudo bem, tudo normal...cansada como o costume...
- Estas chateada? Pareces-me preocupada.
- Nada de mais...as coisas do costume...olha tenho que desligar tenho uma chamada do meu irmão em espera e tenho medo que seja do hospital...depois ligo-te com mais calma!
Desligou a chamada, e voltou para a cozinha, chateada porque a sms não chegava. Mas porquê? E começou a pensar para os seus botões..." ...há pessoas que lhes dá gosto fazerem os outros sofrer, e eu sei que seja lá quem está a fazer isto está a adorar, porque sabe que sou impaciente e detesto ficar pendurada!"
E a dúvida permaneceu!

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Easily...

por Clementine Tangerina, em 26.05.09

A semana não tinha sido fácil, reuniões todos os dias, horas extraordinárias e visitas ao hospital onde o pai estava internado durante os intervalos das reuniões.
Sentia que a corda estava a esticar demais para o seu lado, e que tinha realmente receio que partisse e fosse tarde demais para a substituir.
A esperança estava no dia, era sexta-feira e no dia seguinte não iriam existir reuniões, horas extra nem visitas ao hospital. Prometeu a si mesma que aquele iria ser o seu fim de semana, onde iria desligar do mundo e ficar centrada em si mesma.
Saiu de escritório e fez questão de se esquecer do seu portátil, olhou para ele mas rapidamente desistiu de o levar. Despediu-se do porteiro do edifício, dirigiu-se ao seu carro e arrumou a pasta no porta bagagens do carro, mais uns documentos esquecidos no carro que não iria levar para fim de semana. Entrou no carro e mesmo sem programar começou a tocar o cd de Chill out que uma amiga lhe tinha oferecido, mesmo a calhar. Optou por fazer o caminho para casa à beira mar, coisa que normalmente não faria...odeia aquela estrada e demora-se sempre mais tempo. Mas hoje não havia pressa...queria entrar no fim de semana tranquila e sem stress.
Estava um final de dia quente e haviam muitas pessoas na praia a molhar os pés. Encostou o carro, descalçou os seus eternos Jimmy Choo que lhe tinha sido oferecidos no seu último aniversário pelo seu ex. Trancou o carro e foi até à praia...afastou-se das pessoas que ali se encontravam e sentou-se na areia, junto ao mar. Cruzou as pernas e abriu o peito para respirar fundo! Enterrou os pés e as mãos na areia e fez alguns exercícios de respiração.
Olhou para o horizonte e ai percebeu o quanto se sentia cansada, que realmente todos os acontecimentos dos últimos tempos a tinha deixado com as energias completamente em baixo.
Sentiu-se nova, e rumou até casa.
No carro voltou a calçar os sapatos, mas optou por despir a camisa que lhe prendia os movimentos, ficando apenas com uma de alças que tinha por baixo. Foi a conduzir com a janela aberta e o cabelo a bater-lhe na cara, aumentou o volume da música e continuo a respirar fundo para se tranquilizar.
Antes de ir para casa, parou junto à sua florista preferida, há muito que não comprava flores frescas, e a casa precisava de ganhar cor. " Gerberas rosas e brancas, são bonitas e aguentam-se muitos dias "disse ela para senhora.
Voltou a entrar no carro e desta vez para não parar, seguiu directamente para casa.
Meteu a chave à porta, e antes de a porta se abrir, já ela se estava a descalçar. Pousou a mala na cadeira antiga que tinha na entrada, pousou as chaves e correu para a banheira para a encher de agua. Enquanto a agua ia subindo na banheira, ela foi até a sala e pôs a tocar o seu cd preferido de Buddha Bar, nada a fazia relaxar mais do que aquelas músicas e todo o ambiente que criava para se sentir descontraída. Acendeu umas velas na sala, e caminhou para a casa de banho para acender mais umas quantas. Quando vinha da sala passou pela cozinha e percebeu que havia uma garrafa de vinho aberta em cima da mesa e um copo que ainda não tinha sido usado. Estranhou...porque na noite anterior não tinha aberto nenhuma garrafa de vinho e muito menos aquele vinho que sabia que nunca tinha provado. " Estranho?! será que enlouqueci" pensou ela...mas ignorou...podia ter sido a empregada que lhe tinha deixado um mimo porque sabia que não andava com tempo para si.
Despiu-se e entrou na banheira. Nesse instante ouviu o telemóvel a tocar...era uma sms...ignorou e continuo no seu banho.
Mergulhou a cabeça dentro de agua, como fazia quando era miúda...adorava ouvir os sons debaixo de agua...parecia que ali tudo se ouvia melhor...permaneceu alguns segundos de olhos fechados e voltou à superfície para colocar o óleo para a pele que tinha comprado há alguns dias atrás numa loja nova que conheceu.
Óleo posto, banho tomado, sentia-se realmente a flutuar só lhe faltava mesmo era vestir o seu fato de treino de algodão branco e provar o vinho que lhe tinham deixado.
Enrolou-se na toalha, calçou os chinelos e foi à procura do telemóvel. Alguns minutos para o encontrar dentro da confusão que é a sua mala, tirou a agenda, a caixa dos óculos, o estojo das canetas, a bolsa da maquilhagem, o bloco de notas...e o telemóvel nada...finalmente encontrou-o num dos bolsos da mala.
Desbloqueou o telemóvel e leu "...Que o vinho te saiba tão bem quanto o banho..."! Não conhecia o número de telefone, nem vinha assinada...ficou intrigada, mas ao mesmo tempo pensou que devia ser alguma brincadeira de uma amiga.
Será? (...)

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