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Long Day...

por Clementine Tangerina, em 27.02.11

...

Passaram poucos minutos e Inês foi ao seu encontro. 
- Leonor, ainda bem que vieste, está tudo bem?
-Sim, mais um dia daqueles para esquecer...a anormalidade de sempre lá no trabalho... - Disse Leonor
- Então? Mas a pressão continua?  - Questionou Inês
- Cada vez mais e pior!
- Então? Qual foi a última?
- São tantas...a mais recente, foi pedirem-me quase todos os dias, relatórios sempre à hora de almoço e dizem sempre que é urgente. 
- E será que é?
- Claro que não, eles todos os dias vão tranquilamente almoçar, e quando regressam entrego o relatório e eles deixam-nos em cima da mesa...achas que é urgente?
- Bem, com essa atitude parece-me que não...
-Estou a chegar ao meu limite a sério que estou...
-Mas já pensaste seriamente em sair?
- Já claro que sim, mas está muita coisa em jogo e eu não lhes quero dar esse prazer.
- Acho que não deves desistir da tua felicidade, e infelizmente as pessoas por vezes dão demasiada importância ao trabalho...eu sei que é ele que nos sustenta, mas a vida é mais que isso...
- Eu sei que sim, e faço um esforço para pensar nisso todos os dias. 


Inês acabou de se arranjar e as duas continuaram a conversar.
 - E se fossemos dar uma volta ? Pensei em irmos até Belém dar uma passeio junto ao rio e depois logo se vê...
- Alinho...é claro que alinhado...mas posso convidar uma pessoa para se juntar a nós?
- "uma pessoa"??? quem? quem? conta-me tudo...


Leonor agarrou no telemóvel e começou a enviar uma sms.
- Conta-me tudo Nô quero saber...tudo!
- Não há nada para contar...é um velho amigo que conheci nos tempos de Erasmus em Londres que está cá em trabalho, nada mais. 
- Não me digas? É o tal Owen? aquele Owen??
- Sim, o Owen...esse mesmo...
- E já estiveram juntos?
- Não, ele chegou hoje de manhã, convidou-me para almoçar mas com todo aquele stress lá no trabalho, tive que o despachar.
-E ele vem cá ter?
- Não sei, espero que sim...
- É casado? tem filhos?
- Aiiii tanta pergunta Inês...
- vá conta lá...
- Daquilo que sei e que li na net...
-...o quê? andaste a investiga-lo no facebook...aiiiiii que isso está mais sério do que eu pensava..
- Não estejas já a sonhar...andei sim, porque nos reencontramos através do facebook...perdemos contacto durante muitos anos e por coincidencia atráves da minha Audrey encontrei-o...
- Mas vocês já não estão juntos há quanto tempo?
- Há cerca de 6 anos, quando estivemos na conferencia em Edimburgo, a Audrey foi a organizadora e fui a convite dela...eu cheguei a contar-te, não te lembras ?
- Sim, vagamente... acabaste por jantar com ele não foi?
- Exactamente, mas depois ele acabou por ter que regressar mais cedo a Londres, porque a mãe tinha tido um problema de saúde...


E assim continuaram elas animadas a conversar enquanto caminhavam em direcção ao carro de Leonor. 
- Acho que recebeste uma mensagem...vê, vê...pode ser ele.
- É ele sim...
- Conta-me o que diz...
- Deixa-me ler...
-Simmmmmmm....
- Calma...calma...estás mais ansiosa que eu!
-Ahhhhh então estás mesmo ansiosa...?!?!?
- Eu? Não...nada...

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Are You Here?

por Clementine Tangerina, em 06.04.10


Não era uma manhã igual às outras, era um amanhecer diferente. Algo tinha mudado. Já não havia falta de espaço no armário, as gavetas estavam agora somente com pó, no escritório já não existia a bagunça de papeis e as canetas bic espalhadas, na cozinha já nem existiam as migalhas do pequeno-almoço, na porta de casa mais umas chaves sem dono. No estacionamento existia mais um lugar, no telemóvel mais um número livre na memória, a moldura digital já não passava fotografias, e já nem a televisão passava os canais de desporto.
Aquela não era mesmo uma manhã igual a tantas outras, manhãs que discutiamos vezes sem conta, porque te esquecias das meias pelo caminho do quarto até à banheira, já não nos chateávamos porque eu tinha mau acordar enquanto que tu gostavas de brincar pela manhã.
Haviam hábitos que se perderam naquela manhã, tu já não estavas ali para me abrires o frasco da compota de morango, para me dares um copo de agua quando não me apetecia levantar do sofá.
Tudo estava diferente, e eu não sabia se era para sempre.

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