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A escolha...

por Clementine Tangerina, em 29.10.09

(...)

- Oh Beatriz, desculpa mas sai. - disse-lhe Raul
- Não estou a perceber!
- Vou tentar ser mais claro...a que horas teremos a reunião?
- Depois das 18 horas! - Informou-o Beatriz
- Então o meu trabalho só começa a essa hora...até lá estou totalmente dedicado à minha namorada, contigo só me encontro depois das 18h até lá vai dar umas voltas, vai ver museus, ver lojas enfim...ocupa-te como quiseres mas eu vim para estar com a Leonor.
- Já não está cá quem falou, tenham um resto de bom dia. - Disse Beatriz ao bater com a porta.
- O que é que te deu Raul? - Perguntou Leonor espantada.
-Nada, apenas quis mete-la no lugar dela, detesto pessoas abusadas e ela já estava a esticar a corda demais para o meu lado.
- Uauuuuuuu...estou espantada!
-Onde é que estávamos quando fomos interrompidos... - perguntou Raul!
Leonor abraçou Raul que interrompeu.
- Com tudo isto já são horas de descermos...já estás pronta ?
-Deixa-me só retocar o blush e o gloss e fico pronta num segundo... - Pediu-lhe Leonor
-Com certeza, a senhora manda!
Num ápice Leonor estava pronta, desceram no elevador e encaminharam-se para a porta.
-Olá, vês até cheguei cedo pai !
-Eva, que saudades está tudo bem?
-Tudo óptimo e vocês?
- Leonor, esta é a minha filha Eva que já deves conhecer por tanto te falar dela!
-Olá Eva...finalmente...muito prazer! ´
-Muito prazer Leonor. Então é você que anda a rejuvenescer o meu pai...
-Não me trates por você...vamos deixar os formalismos de lado... - Pediu Leonor a Eva.
- Tudo bem, é como quiseres! - Respondeu Eva.
- Então onde vamos almoçar? - Perguntou Raul.
-Olha estou curiosa por conhecer o "Café Marly"...
- Onde fica? - perguntou Raul
-Junto ao Louvre, tem esplanada e como hoje está um dia de sol acho que podemos aproveitar...-informou-o Eva.
-Acho uma óptima ideia!
-Então vamos...

Em menos de nada chegaram ao restaurante, ficaram sentados numa excelente mesa, escolheram a refeição e aproveitaram o sol quente que se fazia sentir.
-Então quantos dias mais ficam por cá? - Perguntou Eva.
-Mais três ou quatro...tenho uma conferencia em Madrid poucos dias depois de chegar a Lisboa...- Respondeu Raul.
-Ainda não me tinhas falado dessa conferencia...- Disse Leonor.
-Pois não, recebi o email esta manhã, enquanto a donzela dormia...estive a pensar e acho que vai ser positiva a minha ida, acho que me pode abrir portas para outros mercados, acho que vou aproveitar.
-Acho que sim Raul, se podes ir...aproveita! - Disse-lhe Leonor sorridente.
-E tu princesa quando voltas para Lisboa? - Perguntou Raul a Eva.
-Só daqui a umas semanas, vou ficar mais uns tempos por cá...vou aproveitar a hospitalidade da Brigitte e ficar mais uns dias.
- Julgo não conhecer a Brigitte...? - Perguntou Raul.
-Não, ela fez Erasmus em Lisboa...conhecemo-nos há 5 anos atrás...e desde então ficamos amigas. Ela vive com o Luís, que conheceu lá, um tripeiro que agora se mudou para cá.
-Bonita história de amor...! - Afirmou Raul.
-Sim, são dois personagens e tanto!
-E tu quando é que te apaixonas? - perguntou Raul à filha.
-Eu sou uma apaixonada...vivo apaixonada! - Respondeu-lhe Eva.
-Mas quando é que te decides a juntar os trapinhos com alguém?
-Pai...vamos mudar de assunto...não viemos almoçar para falarmos de mim! E vocês quando é que vão viver juntos?
-Desculpa? Que pergunta é essa Eva? - Perguntou Raul espantado.
- Ohh pai, por favor na vossa idade já não se usa andarem a namorar no banco de jardim...já tem idade suficiente para partilhar casa e se não der certo, ficarem amigos. Desculpa-me a frontalidade Leonor, mas é o que penso. - Afirmou Eva com muita convicção.
-Não tem problema, acho que tens razão, mas eu e o teu pai ainda namoramos há muito pouco tempo...vamos com o tempo ver o que queremos fazer das nossas vidas. - Respondeu-lhe Leonor tranquilamente.
-Já que falam nisso, eu por acaso já tinha pensado no assunto, mas ando a adiar a ideia. - Disse-lhes Raul.
-Então porque? Não há motivos para adiar...- respondeu-lhe Eva.
-Há sim senhora...recebi uma proposta de ir dar aulas 2 anos para a universidade de Madrid...como sabes no inicio da minha carreira dei aulas de literatura moderna e também é algo que me agrada muito. - Afirmou Raul.
-E estás a ponderar ir ? - Perguntou Eva enquanto Leonor se mantinha silenciosa.
- Sim, é uma boa opção...mas não sei...tenho mais duas semanas para me decidir...há muita coisa em jogo e não quero fazer a opção errada.
-Acho que fazes bem em pensar pai, é uma boa opção, mas também não te podes esquecer que estás constantemente a receber novos convites para editares em outros países e isso também é muito bom para ti.
-Eu sei querida, é nisso que tenho pensado todos os dias.


Leonor durante toda a conversa manteve-se calada, o seu olhar estava fixado no Museu do Louvre, para ela aquela conversa não fazia qualquer sentido. Raul em nenhum momento da conversa se tinha referido a ela, e na opção de ficar em Lisboa por Leonor e isso tinha-a magoado.
-Leonor? estás cá? - Perguntou Raul enquanto o empregado estava junto à mesa questionando o que pretendiam para sobremesa.
-Sim, sim estou...não quero nada de sobremesa. Merci!
-Não estás com boa cara, o que se passa..ficaste triste com a noticia? - Perguntou Raul.
-É claro que ela está triste...vocês homens são realmente muito insensíveis...oh pai...tu ponderaste não ir para Madrid por causa da Leonor? - Perguntou Eva furiosa.
- Foi a primeira coisa que pensei...inclusive pus a hipótese de Leonor ir comigo. - Respondeu Raul.
-Impossível...não posso largar o meu trabalho...- respondeu apressada Leonor.
-É claro que podes...eu até sei que a tua empresa tem sede em Madrid...e que em tempos te fizeram uma proposta para ires para lá...- respondeu Raul.
-Como sabes tudo isso? -Perguntou Leonor surpreendida.
-Há fontes que não devemos revelar...mas eu sei que a tua ida era uma hipótese. - Afirmou Raul.
-Oh pai, mas estás balançado para algum lado? - Perguntou Eva curiosa.
-Estou, já está quase tudo decidido...- Afirmou Raul.

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À descoberta de Paris..

por Clementine Tangerina, em 21.10.09
(Dedicada a todos aqueles que enviaram comentário a pedir o regresso da história de Leonor e Raul...obrigado pelo carinho!!)

(...) Para ele Paris já tinha deixado de ser novidade, mas para Leonor aquela era uma viagem mais que especial.

-O que queres fazer amanhã ? - Perguntou Raul a Leonor
- Não sei...tu não tens que trabalhar ? - Respondeu-lhe Leonor.
-Sim, mas só tenho uma reunião ao final do dia, por isso temos o dia só por nossa conta.
- Estas a brincar? vamos puder andar a passear por Paris sem a chata da tua editora?
-Nôô??!
- Upss não era para dizer...
-Sim, vamos andar sozinhos...de mão dada pelas ruas de Paris.Onde queres ir ? Ao Louvre? À torre Eiffel ?
-Sim, a tudo a que tenho direito...quero passear de barco no Sena, passar no Arco do Triunfo, e descer os Champs-Élysées...Ahhhhhhhhh e temos mesmo que ir ao Museu Pompidou onde estive quando a minha mãe estava grávida de mim!!
-Que engraçado, temos mesmo então que lá ir!


Deixaram o quarto cedo, tomaram o pequeno-almoço no hotel e foram caminhar pelas ruas de Paris em busca dos pontos turísticos que Leonor queria ver.
- Não sabia que eras tão fascinada por fotografia... - Disse Raul a Leonor.
-Sou, desde muito miúda...quando tinha 6 anos ofereceram-me uma olympus manual e desde ai que não vivo sem a minha máquina fotográfica, vai comigo para todo o lado.
-Nunca ponderaste seguir essa carreira?
-Sim, os meus pais e alguns amigos insistiram para seguir essa carreira, mas não sei...sempre achei a vida dos fotógrafos muito instável e sempre fui muito terra à terra, não queria ter uma vida instável.
-Mas há tantos fotógrafos com grandes carreiras...podias ter uma boa carreira...
-Pois podia, mas talvez por medo, talvez por comodismo...nunca tentei.
-Acho que devias voltar a pensar nisso...quem sabe não descobres uma nova profissão?!
-Quem sabe...


Enquanto iam caminhando, Raul informou Leonor que iria leva-la a um local especial que ela conhecia, mas que nunca tinha estado.
- "Mon Amour"que surpresa é ?
- "Surprise"...
-Sabes que não vivo bem com surpresas...
-Vives pois...adoraaaaaaaaasss...

E entre a insistência de Leonor e a indiferença de Raul, lá chegaram ao local da surpresa.
- Sabes onde estamos?
- É um café?
-Sim, é o "Les Deux Moulins"...vamos entrar e já vais perceber...
-Raul...
-Sim, Nô...
- É o café que estou a pensar que é...
-Sim, esse mesmo...o famoso café onde trabalhava a Amelie Poulin...
-Ohhhhhh Raul, é tão linnndo...obrigado...sabes o quanto adorei o filme...aiii que sonho...podemos tomar um café...
-Mas é claro...viemos cá para isso mesmo meu amor.

Sentaram-se numa mesa e Leonor ficou de boca aberta a olhar para os detalhes do café!
- Isto não mudou quase nada Raul...é tal e qual o filme...
-É mesmo...já tinha lido sobre isso e eles pouco mudaram no café para fazer o filme.
-Que engraçado...sinto-me dentro do filme...é incrível!


Permaneceram durante alguns minutos no café, e Raul interrompeu os pensamentos de Leonor com um convite:
-Tenho uma proposta para te fazer...
- Então? Então?
- Podemos dividir o almoço com outra companhia?
- Estás a gozar Raul...não estás?
-Por acaso não estou!
-Não me apetece que tenhas um almoço de trabalho...prometeste-me que não te iria dividir com a tua editora...
- E não me vais dividir...pelo menos com ela...
- Então com quem?
- Confias em mim?
- É claro...mas com quem queres almoçar?
- É surpresa...concordas ou não?
- Está bem...pode ser...

Raul fez um telefone, a combinar o almoço, Leonor curiosa colou-se ao braço dele para tentar perceber quem era, mas não teve muita sorte.
-Sim, então encontramo-nos à porta do Plaza à uma da tarde...sim...nada de atrasos... - Disse Raul ao telefone.
-Vais mesmo manter segredo da nossa companhia?
-É claro que sim, mas acho que até vais gostar...
-Então porque marcaste no Plaza...
-Porque me apetece raptar-te daqui a nada...e dar uma escapadinha até ao nosso quarto...concordas?
-Uhmmm não sei...se me apetece... - Disse Leonor com um sorriso nos lábios.

Passava pouco das onze e meia e foram caminhando pelas ruas de Paris, e acabaram por chegar ao Plaza mais cedo do que previsto...
-Bem minha querida, teremos mesmo que ir ao nosso quarto fazer tempo para o almoço...
-Pois, parece que sim...

Subiram o elevador, Raul beijou Leonor no pescoço e correram apressados para o quarto.
Leonor descalçou as botas de cano alto que trazia, começou a desapertar a camisa que tinha mas logo foi interrompida com alguém a bater à porta.
-Quem será Raul ?
-Não sei...ainda é cedo para o almoço...

Raul vestiu a t-shirt que tinha despedido segundos antes e encaminhou-se para a porta enquanto Leonor foi acabar de se vestir para a casa de banho.
-Interrompo alguma coisa? - perguntou Beatriz a Raul.
- O que se passa? Há alguma alteração para a reunião de logo à tarde? - Perguntou Raul à editora.
-Não meu querido, senti-me sozinha e vim convidar-vos para almoçar!
(...)

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Paris e o Plaza...

por Clementine Tangerina, em 30.08.09


(...)


Apanhou um táxi para o aeroporto da portela e contava chegar em cima da hora de embarque, não queria perder muito tempo a vaguear pelo aeroporto.

No táxi um jovem elegante e bastante charmoso aumentou som da música enquanto na radio a sua música favorita tocada, não se cansava de ouvir repetidamente " Breathe Me" de Sia. Aquela não era uma música qualquer, tinha um significado na sua memórias recentes que gostava de recordar.

Fechou os olhos por diversas vezes enquanto escutava a música, e começou a sentir-se ainda mais nervosa quando o táxi estacionou à porta do aeroporto. Pagou, agarrou no casaco que tinha sobre as pernas e colocou os óculos de sol.

Agarrou na mala de viagem, e procurou o balcão para efectuar o check-in.

- Está atrasada...temos que ser rápidos! - Informou o funcionário.

-Sim eu sei, já percebi que sim!

- Seja rápida a ir para a porta de embarque, se não arrisca-se a perder o voo...daqui a pouco estão a chamar por si.

-Não isso é que não...tudo menos isso!



Apressou-se a procurar a porta, correu até à zona de embarque e o seu coração ficou um pouco mais aliviado, quando percebeu que ainda haviam pessoas a embarcar.

Entrou dentro do avião, e foi acompanhada até à classe executiva.

- É este o seu lugar, boa viagem! - Informou a hospedeira.

- Muito obrigada.



Olhou em volta e tentou procurar alguém familiar, parecia preocupada.

- Será que me enganei no horário do voo? É claro que não...se não, não teria entrado com tanta facilidade...não estou a perceber...



Na tentativa de esclarecer a sua duvida, agarrou na mala, e procurou o livro de notas onde escreveu as anotações da viagem.

- É este mesmo... Paris, voo Tap, dia 15 às 10h...

-Desculpe mas esse lugar está ocupado...

Fechando o livro de notas e tentando perceber quem estaria a reclamar pelo lugar:

- Ahhhhhhhh estava a ver que não chegavas...

-...conseguiste vir?

- Surpresa meu querido...não querias companhia...?

- É claro que sim que queria...mas não contava contigo...



Enquanto se cumprimentavam Leonor foi surpreendida com uma voz nas suas costas:

- Raul, já cheguei...vou para o meu lugar já falamos! - Uma mulher elegante, e extremamente bonita, fez um olhar feroz a Raul.

-Quem é ?

- É a Beatriz...minha editora...

- Pensei que viéssemos sozinhos...

-Não...a Beatriz vem sempre comigo...



Leonor não gostou da editora, sentiu-se observada toda a viagem e o seu olhar era muito mais do que de uma simples editora.

Teve receio de perguntar a Raul se já alguma vez tinha tido algum caso com ela, estaria a demonstrar insegurança e isso não queria. Iria tentar esquecer toda aquela situação e aproveitar ao máximo a viagem.

- Onde vamos ficar hospedados ?

- Surpresa....mas vais gostar de certeza!

- É claro que vou, mesmo que fosse ficar numa pensãozita estaria bem, Paris é sempre Paris...e estou contigo, por isso tudo o resto são detalhes.

- Tens toda a razão ...vamos aproveitar bem mais estes dias...depois não sei quando teremos esta oportunidade...

-Então ? Vais viajar novamente ?

- Sim, provavelmente irei passar umas semanas aos Estados Unidos...

-Isso é maravilhoso...qual é o livro que vais fazer promoção ?

- Não vou em trabalho.

- ahh pensei... - Calando-se e não fazendo mais perguntas.

- , não precisas ficar assim, vou visitar o meu pai que está muito doente...soube a noticia hoje de manhã antes de embarcar...terei que ir lá com o meu irmão...quero acompanhar os últimos dias de vida dele.

- Ohh desculpa...se calhar não devia ter vindo.

-Não sejas tontinha...foi óptimo teres vindo...não podias ter vindo em melhor altura.

-Nunca me tinhas falado do teu pai....

-Pois não...não temos uma relação muito próxima...ele foi para Houston quando nós éramos miúdos...foi em trabalho e nunca mais regressou.

-E porque não foram para lá viver ?

-Porque os meus pais já eram divorciados...e a minha mãe era casada com um diplomata...

- Há quantos anos não vês o teu pai ?

- Fui lá quando a Eva tinha 3 anos...e nunca mais fui...

- Bem nem quero contar os anos...mas é muito tempo...

-Sim, ele não é fácil de lidar...sempre quis que os filhos fossem na vida aquilo que ele idealizou...e isso sempre criou alguns conflitos entre nós e o meu irmão.

- Mas o teu irmão costuma vê-lo com mais frequência que tu ?

- Sim, mas não muito...a mulher dele é americana e normalmente nas férias costumam lá ir e fazem sempre questão de ir visitar o meu pai.

- E essa aproximação não fez melhorar a relação que vocês tem com ele ?

- Não, nada...mas vamos mudar de assunto ?

- É claro...desculpa não te quis aborrecer.

- Fica descansada...daqui a pouco já passa.



Foram levados o Hotel por um motorista, para grande surpresa de Leonor, era o Hotel Plaza aquele que sempre sonhou ficar...o famoso hotel onde Carrie e Big finalmente se acertaram em " O sexo e a cidade" ....

- Era este ou não era ? - Perguntou-lhe Raul percebendo o olhar fascinado que ela tinha.

- Sem palavras...é mesmo este? foi mesmo aqui que sempre quis.... Como sabias?

- Acho que deixaste escapar entre conversas uma vez...

- Não me recordo...

-Lembro-me eu...foi nos primeiros dias que nos conhecemos...

- Só tu! Vamos mesmo ficar aqui ?

- Não, vimos cá só tomar um chá...

-Ahhh!

-É claro que vamos cá ficar tontinha...

-Opááá nem quero acreditar...

(...)


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Depois de um Mês...

por Clementine Tangerina, em 17.08.09

(...)


- Não Raul, não vou puder ir, desculpa.
- Ohh não acredito...já tinha feito planos para nós e tudo...
-Não sabes como lamento...
-Mas achas que não há maneira de dares a volta ao teu director?
- Não, estamos com muito trabalho e tenho muito trabalho em atraso.
-Ohhhhhhhhh!

Raul, não conseguiu disfarçar a desilusão de não o ir acompanhar naquela viagem.
-Não fiques assim, vais ver que vão surgir mais oportunidades...
-Eu sei que sim, mas até já tinha reservado uma mesa num dos meus restaurantes preferidos.
Foram interrompidos pelo telefone de a tocar...
- Sim, ...então já lhe contaste que não podes ir ?
- Sim.
- Estás ao pé dele?
- Sim!
-Ahhh e ele acreditou na mentirinha?
-Ohh sim, claro que sim!
-Óptimo...assim a surpresa vai ser maior...
- Pois vai, não tenho qualquer dúvida.
-Liga-me logo para me contares tudo...
- Fica combinado Joana, beijinhos e obrigado pela noticia!

Leonor desligou o telefone, e Raul ficou a olhar para ela sem fazer qualquer comentário, mas não perdeu a oportunidade para o tentar convencer mais um pouco que não podia ir com ele.
-Era a minha amiga Joana, acho que nunca te falei dela...colega de trabalho, já nos conhecemos há uns 20 anos...é a irmã que nunca tive...ligou para me contar as fofocas lá do sitio...e para dizer que conta comigo para almoçar na próxima semana!
- Terei muito prazer em conhece-la um dia destes...
- Já tens as malas prontas ?
- Não...faço-as em 5 minutos...
- A que horas vamos para Lisboa ?
- Tenho que acabar de tratar de umas papeladas é vamos se seguida...já tens tudo arrumado?
- Sim, fui arrumando...só me falta despedir-me...vou ter saudades...
- Podes cá voltar sempre que quiseres...ficas é em outra casa...
- Vou voltar com certeza...se me convidares...
- Nem te vou responder...

Leonor deixou Raul sozinho a tratar das suas obrigações, e foi dar um passeio à praia queria tirar as ultimas fotografias daquele local que tão bons momentos a tinha feito viver.
Alguns minutos depois Raul, foi ter com Leonor à praia e sem ela contar voltou a falar da viagem.
- Ohhh , tenho tanta pena que não vás comigo...que chatice...até estou com vontade de cancelar a viagem....
- Não faças isso... - Disse-lhe Leonor quase a gritar
-Então, é preciso isso tudo...queres mesmo ver-me pelas costas...
-É claro que não, só acho que é uma oportunidade boa para ti e que deves ir...
- Sim, tens razão, mas vai custar-me separar-me de ti...
- Estarei cá quando regressares...prometo...

Raul, agarrou na mão de Leonor e puxou-a para casa, estava na hora de regressar a Lisboa por muito que fosse doloroso para eles.
Leonor trancou a casa, colocou as malas à porta e Raul apressou-se a meter a bagagem de ambos no carro.
Leonor deu uma ultima olhadela para a casa e para a praia e rumou a Lisboa com Raul.

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Um mês, e depois...

por Clementine Tangerina, em 27.07.09

(...)

- Não conheço Paris, e confesso que há muito que ando a adiar...
- Então isso é um sim?
- É um talvez...
- Então, qual a dúvida?
- Como sabes tenho mais esta semana de férias e depois regresso ao trabalho, que já me deve esperar a toda a força.
- Pois eu sei...terias apenas de adiar o regresso mais uma semana...eu até sei que tens mais dias de férias por gozar...
- Sim, tenho...podia ficar mais um mês de férias e ainda ficaria com mais dias por gozar.
-Então...
- Então, irei falar com o meu director e depois digo-te...até quando posso dar-te a resposta?
- Até amanhã ao final do dia...
- Tudo bem, irei falar com ele logo de manhã...mas obrigado pelo convite, realmente surpreendeste-me e muito.
-Gosto da tua companhia, foste uma grande surpresa nestas férias, não contava em cruzar-me com ninguém por aqui tão interessante.
-Parece que já somos dois...vim para aproveitar o mar e estar sozinha e acabei por ter a melhor das companhias.

Saborearam o resto do jantar, a sobremesa e o vinho. As estrelas estavam especialmente sorridentes nessa noite e o céu limpo.
Ouviram boa música, falaram dos seus compositores preferidos de jazz, dos seus escritores preferidos, e das viagens que fizeram e que gostavam de vir a fazer.
Sabiam que viviam ambos em Lisboa, nessa grande cidade que os apaixonava sempre que regressavam de férias, mas não sabiam em que zona moravam, nunca tinha surgido em conversa.
- Como estás a pensar regressar a Lisboa?
- De carro, como haveria de ser ?
- Ahahha, que engraçadinha...eu sei que é de carro, mas como não te vi a conduzir desde que aqui chegaste...
- Porque eu não vim sozinha até aqui...tive boleia...
- Boleia?!!? uiiii algum amigo especial ?
- Sim, um amigo!
- E esse teu amigo vem buscar-te?
- Não, esse amigo infelizmente não me poderá vir mais buscar...
- E tu lamentas profundamente esse facto.
- Lamento, porque gosto muito dele...
-E ele fez-te a desfeita de se recusar a vir cá novamente?
- Não, ele veio trazer-me como forma de despedida, foi viver para os Estados Unidos...aceitou um cargo como gestor financeiro e não houve como recusar...ele vive para o trabalho, é solteiro, não gosta de compromissos e antes de partir acabou tudo com o namorado que tinha cá.
- Namorado?
- Sim, namorado...é gay.
- Ah estou a ver...então nesse caso lamento muito que ele tenha partido...
- Porquê? só porque é gay?
- Não porque não corria perigo com ele por perto!
-Ahhh que engraçadinho que você me saiu!
-É diz que sim!
- Onde é que moras?
- Moro há muitos anos nas Avenidas novas...sabes onde é?
-Claro que sei, não trabalho longe dai...
- Aii não? Onde?
-Saldanha...
-Isso é interessante...cheira-me que vou almoçar contigo muitas vezes...mas onde é que moras?
- Campo de Ourique...
- Adoro Campo de Ourique...vivi lá com a minha ex-mulher...é uma zona encantadora.
-Pois é, eu adoro! - Respondeu-lhe Leonor.
O mar começou a ficar agitado, e Raul não quis arriscar e começou a regressar ao cais para não correr riscos.
- Obrigado por esta noite magnifica Raul, foi realmente muito agradável...
- Só agradável?
- Digamos que foi especial ?
- Uhmmm só isso?
Enquanto Leonor olhava para o veleiro que ali deixavam, Raul não perdeu tempo e abraço-a e roubou-lhe um longo beijo.
Leonor ficou surpreendida, mas não deu parte fraca, quis aproveitar o máximo que podia daquele beijo que há muito queria ter dado mas por receio nunca o fez.
Raul por sua vez, sentia-se feliz por ter dado o primeiro passo e por ela ter correspondido ao beijo dele e não o ter rejeitado.
-Obrigado por esta noite inesquecível...
-Ahhhh assim está bem melhor! Ainda bem que te fiz mudar de ideias...
- Realmente consegues mesmo surpreender-me menino Raul.
- Tu também, Nô...

Entraram no jipe de Raul, Leonor acomodou-se no carro, no banco de pele enquanto Raul escolhia o cd que queria ouvir. Por segundos Leonor fechou os olhos e julgou que tudo o que tinha vivido tinha sido um mero sonho.
- Diz-me que estive a dormir, que nós não nos beijamos, que não jantamos aqueles divinais pratos e que não ouvimos boa música...
- É mentira...não aconteceu nada disso....
- Mentiroso... - E aproximou-se dele e roubou-lhe um longo beijo.
- Vamos que já começa a ficar tarde e a menina tem que dormir...
- Eu não sou a Cinderela...não preciso estar em casa até à meia noite...
- Mas eu sou o príncipe e quero-a sã e salva no seu palácio...
- O príncipe manda...
Seguiram viagem por mais de quarenta minutos, Raul não fez questão de ir depressa...queria aproveitar os poucos momentos que restavam daquela noite com Leonor.
Leonor por sua vez, sentia-se ansiosa, queria ligar naquele instante para o seu director para ele a autorizar a tirar mais uma semana de férias...queria ir com Raul para Paris, queria viver uma semana com ele e conhecer mais e mais daquele homem que lhe tinha revirado o mundo do avesso.
- Até amanhã minha querida, dorme bem...
-Tu também dorme bem, descansa...e não vás trabalhar...
-Não vou, estou cansadissimo...foi muita emoção para um dia só...vou tomar um duche e cama!
- Então até amanhã.
- Até amanhã Nô.

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We'll Always Have Paris...

por Clementine Tangerina, em 21.07.09

(...)

- Não sei porque dizes isso Nô...
- Tu estás a gozar comigo, só podes...
- Vá sobe lá para o veleiro, ele não morde...Olá Miguel, obrigado por teres esperado por nós, mas podes ir embora... - Disse Raul ao jovem rapaz que os esperava no veleiro!
- Não quer que os acompanhe ?
- Sinceramente não, ainda sei velejar o meu veleiro...apesar de já não o fazer há alguns meses, mas não tens que te preocupar, não vamos para longe...
- Nesse caso então vou andando, resto de uma boa noite e divirtam-se! - Disse o jovem rapaz, não perdendo tempo a deixa-los sozinhos!
- Obrigado, Até amanhã!
Raul ajudou Leonor a descalçar-se dentro do veleiro, pois os saltos altos não eram de todo a melhor opção para andar por ali.
- Mas que grande surpresa, nunca imaginei...tu realmente quando queres consegues surpreender-me!
- Ah pois é...digamos que a idade trouxe-me alguns truques que sei que surpreendem, até os mais exigentes como tu!
- Então mas afinal onde vamos...?
- Vamos passear aqui pela costa, pois os finais de tarde no mar são realmente especiais...
Quando se preparava para ver o resto do veleiro, foi novamente surpreendida com uma mesa extremamente bem posta, com direito a copos altos, velas e até um ramo de geriberias cor de rosas.
- Uau! Estás à espera de mais alguém ? - Perguntou Leonor sem conseguir esconder a vergonha que sentia!
- Não, por acaso não...tentei convidar mais umas quantas donzelas mas ninguém aceitou o meu convite...só tu!
- Ahhhh pois claro!
- Não sejas tontinha...é claro que é tudo para ti, para nós!
- Mas como é que tiveste tempo para preparar tudo isto?
- Digamos que dei cá um salto rápido e confesso que tenho os melhores amigos do mundo que me ajudaram a preparar tudo!
- Grandes amigos...
- Vamos ver se são...espera até servir o jantar e depois falamos sobre isso!
Leonor sentou-se à beira da agua e colocou os pés fora do veleiro, apesar de fria a agua sabia-lhe pela vida.
- Realmente eu e o mar, devemos ser os melhores amigos do mundo...sinto uma paz quando estou junto a ele é incrível o poder que ele tem sobre mim...
- Acho que ele tem poder sobre muita gente, é inspirador, relaxante e ao mesmo tempo tem "dentro" dele uma tempestade que assusta qualquer um.
- Já foste apanhado por alguma tempestade?
- Sim, há muitos anos atrás... - Raul não gostou da pergunta, mas mesmo assim fez um esforço para que Leonor não percebesse o seu descontentamento.
- Não pareces gostar de falar do assunto...
- Já começas a conhecer-me...mas a verdade é que realmente não gosto mesmo de falar sobre isso...resumidamente eu conto-te....foi há uns 10 anos atrás...não neste veleiro mas num outro que tive durante mais de vinte anos, estava com a minha filha e a minha ex-mulher...aparentemente parecia um dia tranquilo de primavera, estávamos afastados da costa, queríamos aproveitar o dia para ler, ouvir música e relaxar longe de tudo e de todos. Mas de repente o tempo começou a mudar e não conseguimos chegar a tempo de evitar uma grande tempestade. Felizmente correu tudo bem, acabamos por ser ajudados pela marinha que nós ajudou a fugir daquele filme sem consequencias grandes. Mas parte do veleiro ficou destruído.
- E continuaste a gostar de velejar ? não apanhaste medo?
- Durante alguns meses não quis saber do mar, fugi para a cidade de modo a esquecer todo aquele filme, mas depois mentalizei-me que aquilo tinha sido um episódio isolado e que não se voltaria a repetir.
-Desculpa ter abordado o assunto, não queria estragar a nossa noite...
- É claro que não vais estragar...são águas passadas...
Raul aproveitou o fim da conversa para começar servir uma taça de vinho branco gelado a cada um deles, e informou Leonor que iria começar a servir o jantar.
Leonor concordou, e sentou-se à mesa para começarem a saborear o fabuloso jantar que tinha sido preparado pelos "melhores" amigos de Raul.
- Uau, pelo aspecto parece-me delicioso!
- Sim, por acaso tenho que lhes dar os parabéns, pois está realmente maravilhoso. Gostas de espargos?
- Adoro...porquê?
- Porque a entrada será Mil-folhas de espargos com ervas finas...
- Bem só pelo nome e pelo aspecto já me estou a babar literalmente...
- Para prato principal espera-nos um delicioso Gnocchis com lagosta e molho de nozes...
- Uauuuuuuu...
-Espera...ainda não acabou... para sobremesa "the last but not least" Blinis com Framboesa e obviamente um saboroso café das índias para acompanhar!
- Uauuuuuuuum estou espantada...que maravilha...tens que me dar o contacto desses teus amigos porque originais nas receitas lá isso são...agora vamos ver se sabe tão bem a comida como os nomes sugerem!
-Garanto-te que sim, pois fiz a prova de todos os pratos e estavam deliciosos.
- Então o que estamos à espera?
- Faça favor de começar...bom apetite!
O jantar decorreu tranquilamente, Raul não se tinha esquecido de nenhum detalhe, boa música, um jantar delicioso, e o mar como cenário...era mais que perfeito para Leonor.
- Tenho uma coisa para te comunicar...
- Uiii, medo!
-Não é nada de especial...mas queria informar-te o quanto antes.
Leonor não abriu a boca para dizer nada, ficou a olhar para Raul à espera que ele contasse as novidades!
- A verdade é que estou prestes a ir embora...
- Como assim ?
- Dentro de três a quatro dias tenho que ir a Paris e depois sigo para Roma...
- Uhm estou a ver, trabalho?
- Sim, é o lançamento de um dos meus livros em feiras...e preciso estar presente para o lançamento.
- Parabéns, é sempre bom ver o nosso trabalho a ter sucesso além fronteiras...
- É claro que sim, mas não me apetecia ir já...queria ficar mais uns dias contigo...
- Ohh Raul, não digas isso, o teu trabalho é mais importante que tudo o resto.
- Não é verdade...preservo muito a minha vida pessoal e gosto de tentar manter os dois mundos equilibrados.
- Não faz mal...aproveitamos bem os dias que ainda temos juntos!
-Mas as coisas não ficam por aqui...
- Aiiii...
- Queria fazer-te um convite...
- Aiiiii
- Gostavas de me acompanhar até Paris ?
- Aiiiiiiiii
- Posso levar companhia e tu és a pessoa que neste momento gostava que fosse comigo... mas tu só consegues dizer "aiiiii"?

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Segredos mas poucos...

por Clementine Tangerina, em 15.07.09

(...)
Raul tinha-se fechado em copas e fazia questão de provocar Leonor com as suas descobertas que dizia ter feito no dia anterior enquanto caminhavam.
Não havia muito por descobrir, mas tinha noção que toda a gente tinha os seus telhados de vidro. Se havia coisa que não gostava era ter a sua vida exposta aos olhos dos outros. Mas Raul não era uma pessoal qualquer, independentemente do que ele soubesse sobre si, tinha que saber aceitar caso pretendesse que ela fizesse parte da sua vida.
Tinham-se encontrado na praia para aproveitar o sol quente que nesse dia tinha estado, nadaram juntos e apanharam sol até começar a arrefecer.
- Então mas conta-me lá o que é que sabes sobre mim, e que eu não te contei ?
- Achas mesmo que te vou contar assim, do nada? Estás louca...nem pensar!
- O que queres em troca ?
- Uhmmmm, acho que calhava bem um jantar em tua casa, a ouvir aquele CD fantástico que tinhas a tocar no outro dia ao almoço...
- Algum prato especial ?
- Não fica ao teu critério...sou bom garfo como sabes!
- Então seja...esse jantar fica para quando ?
- Para hoje...agora...olha a escapar-se ao jantar...ah pois é...vamos lá para casa, se é que queres saber o que eu descobri sobre ti!
O resto do caminho até casa de Leonor, foi sempre a tentarem chegar a um consenso do que poderia vir a ser o jantar, Raul não queria dar muito trabalho, e por sua vez Leonor era apologista de que às vezes valia a pena demorar na cozinha para se ter uma refeição dos deuses.
Chegaram a consenso quando chegaram a casa, Raul acompanhou Leonor a casa e surpreendeu-a :
- Não é por ai o caminho!
- Não ? Então? Esta é a minha casa!
- Mas nós não vamos jantar nem na tua casa nem na minha...
- Estou confusa...então vamos jantar à casa do vizinho?
- Também não.
- Então? Queres ser mais claro!
- Reservei mesa num restaurante...
- Então porque foi aquela história toda de escolhermos o que iria fazer para o jantar ?
- Bem, queria surpreender-te e esta foi a melhor maneira...diz lá que não te vai saber bem hoje não meteres os pés na cozinha?
- Para ser sincera, era o que hoje mais queria que me servissem...
- Então parece que acertei!
- Onde vamos afinal ?
- Iremos para outra aldeia...mais civilizada...posso dizer-te o que vou vestir e tu perante o meu guarda-roupa tiras as tuas conclusões.
- Acho uma óptima ideia, não me apetecia ir de camisola de fato de treino para o restaurante mais in da zona!
- Vou vestir calças e não são de ganga, camisa e sapatos! Ajudei ?
- Nem por isso...tu tens noção que o meu guarda-roupa é muito limitado, não trouxe nenhuma roupa para sair...vou demorar uma eternidade a conseguir encontrar alguma coisa adequada...
- Acredito que vais estar ainda mais gira do que já és...
- Não sejas tontinho...a que horas é que vamos sair ?
Raul olhou para o relógio e com um ar de gozo disse-lhe:
- Daqui a meia hora...
- Estas louco ? Tu não tens noção do tempo que uma mulher demora a vestir-se...
- Calma, calma Nô...estava só a brincar contigo...daqui a 1 hora saímos...
- Ahh! Já me parece melhor...agora se não te importas preciso entrar, tenho que revirar o meu guarda-roupa...até já...
- Nô...não stress, afinal o importante é tu te sentires bem na tua pele tudo o resto são adereços!
Leonor não lhe deu ouvidos e entrou a correr em casa, ligou o duche e enquanto a agua do banho aquecia, revirou o armário, espalhou a roupa pela cama e tirou todas as opções que tinha...
Foi tomar banho e ficou em pensar no conjunto que iria vestir, não tinha muitas opções, por isso optou por ir simples mas bonita. Um vestido amarelo bem fresco e umas sandálias altas e estava feito o modelito. Secou o cabelo rapidamente, colocou o seu perfume preferido, blush aqui e ali, rimel, eyeliner, gloss e estava prontissima. Foi surpreendida com a pontualidade de Raul.
- Posso entrar ?
- Claro, já estou pronta, deixa-me só ir buscar a bolsa ao quarto...
- É claro temos todo o tempo do mundo...
Quando Leonor entrou na sala, Raul estava de costas, amar a observar o pôr do sol que naquele dia estava mais bonito que nunca.
- Estou pronta, vamos ?
- É claro que......desculpe? Estou à procura da minha amiga Leonor...acho que me enganei na casa...peço desculpa mais uma vez...
- Raul não sejas tontinho...
- És mesmo tu ? Jesus...estás lindíssima...nunca tinhas vestido esse vestido...
- Pois não, estava à espera que me convidasses para sair para o vestir...
- Ainda bem que o fiz, tá visto! Vamos embora?

Leonor trancou a porta e seguiram em direcção ao jipe de Raul que estava estacionado em frente à sua casa.
- Já te disse que adoro o teu jipe?
- Não, nunca falamos sobre isso...
- Adoro, é um dos carros dos meus sonhos...
- Aiiii sim ? Então logo à noite à vinda, deixo-te conduzir...
- A sério ?
- É claro que sim...pareces uma menina com um brinquedo novo...
- Acho este carro fascinante...mas por enquanto não o posso comprar, talvez daqui alguns anos o possa comprar com uns subsídios e uns prémios extra que ganhe.
- Vai chegar o teu dia...e pode estar mais perto do que imaginas...
-Mas afinal onde vamos jantar ?
- Bem se te revelasse iria deixar de ser surpresa...
Leonor insistiu durante alguns minutos com Raul, mas ele fez questão de guardar segredo.
Seguiram sempre viagem junto ao mar, estava uma noite fresca mas agradável. Perfeita para a surpresa que Raul tinha preparado a Leonor.
Raul parou o carro, abriu a porta de Leonor, e convidou-a a sair.
- Mas afinal onde vamos jantar ? Não estou a perceber...
- Já vais perceber, prometo...
- Mas não estou a ver aqui nenhum restaurante...
- Acompanha-me por favor, vamos até ali...
Caminharam alguns metros sempre com o mar no horizonte, Leonor sentia-se nervosa com o restaurante "mistério" e Raul uma criança, adorava surpreender e aquele iria ser um jantar sem dúvida mais que especial.
- Chegamos!
- Desculpa ? Não estou a perceber? Tu és louco ?
(...)

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Em Busca...

por Clementine Tangerina, em 13.07.09



(...) O telefonema tinha sido rápido, mas foi o suficiente para que Raul sentisse os olhares de Leonor, sabia que lhe tinha que dar uma explicação mesmo não tendo qualquer tipo de relação com ela.

Sem contar Leonor, começou a contar os seus planos para os próximos dias, mas Raul não queria que a conversa do telefonema fosse mais adiada.

- Desculpa interromper-te Nô, mas devo-te uma explicação!

- Qual explicação ? Não sei a que te estás a referir?

- O telefonema que recebi... - Explicou Raul.

-Ahhh não tens nada que me explicar, é a tua vida privada não há motivos para me explicares seja lá quem for a pessoa com quem estavas a falar.

- Mas eu quero, e preciso... Há algumas coisas da minha vida que não te contei...acho que andei a adiar e hoje foi o momento que achei mais acertado.

- Se achas que é necessário, força!

- Quem me ligou à pouco foi a minha filha Eva, vejo-a pouco pois ela vive em Barcelona há alguns anos, foi para lá fazer erasmus e nunca mais voltou...!

- É sem dúvida um bonito nome!

- Não me pareces surpreendida?! - Questionou Raul a Leonor.

- Porque dizes isso?

- Pela tua expressão e pela falta de perguntas que são habituais em ti.

- Queres mesmo saber? - Disse-lhe Leonor demonstrando alguma impaciência.

- É claro que sim, gostaria muito!

- Bem antes de mais, desculpa...mas não foi intencional...

- Estás a deixar-me preocupado...

- A verdade é que eu tentei descobrir mais algumas coisas sobre ti...comecei por descobrir quem era a tua editora e descobrir mais dos livros que já editaste, sem querer encontrei um artigo na net de já alguns anos...em que te tinham fotografado a ti e à tua família numas férias precisamente em Barcelona.

- Ahhh sim, já me recordo...foram as últimas férias que tive com a minha ex-mulher...sacanas passaram os dias que estivemos com a Eva em Barcelona a perseguirem-me para todo o lado.

- Desculpa mas não foi com intenção de bisbilhotar a tua vida, aconteceu.

- Não faz mal...acontece a todos...

- Aiii sim? Já te aconteceu?

- Já, claro que sim! Hoje em dia a Internet é um meio de saber mais sobre as pessoas que nos rodeiam...por exemplo sei que ganhaste um prédio no Festival de Publicidade de Cannes, verdade ?

- Ahhh??! Não acredito, tu andaste à procura de informações sobre mim?

- Mas é claro...

- Isso foi à cerca uma semana...não resisti...desculpa, mas quis descobrir mais sobre a minha vizinha do lado.

- Então estamos quites! - Comentou alegremente Leonor.

- É verdade...mas também fiquei a saber algumas coisas sobre ti que não sabia?

- Tais como ?

- Algumas coisas para além da vida profissional...

-Aiiiiiii sim? Mas eu nunca sai nas revistas cor de rosas?

- Isso pensas tu!

(...)

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Depois da Visita

por Clementine Tangerina, em 08.07.09


(...) Raul continuou a escrever e a fazer alguns contactos com a editora para resolver algumas questões burocráticas da edição do livro que estava a escrever.

Depois de falar para a editora e acertar tudo o que estava pendente, dedicou-se inteiramente à escrita e passou para o computador os rabiscos que tinha escrito numas folhas de papel. Gostava de escrever tudo em papel e só depois passar para o computador, pois sabia que quando fizesse esse processo havia coisas que iria alterar, porque lhe soavam melhor.

Já passavam das sete da tarde quando olhou para o relógio e de imediato pensou em Leonor. Foi à janela e não a viu. Decidiu vestir algo mais quente e foi ter com ela.

- Posso entrar ? - Perguntou ele à porta da sala
- Sim, Raul entra estou só a trocar de roupa.
Raul esperou na varanda por Leonor, parecia estar ausente.
- Olá olá, muito pensativo!
- Não, estou ainda a desligar das personagens que estou a escrever.
- E quando é que me deixas ler uma pagina que seja ?
- Quando quiseres...
-Quero muito...
- Nô , que me dizes de irmos jantar fora ? Apetecia-me mudar de ares...como estive a tarde em casa, agora preciso ver outras pessoas...
- Estás a dizer que a minha companhia não é boa?
- Estás tolinha? Nada disso, mas normalmente quando estou em processo de escrita, gosto sempre ver ir a sítios diferentes e ver pessoas diferentes, talvez para inspiração, talvez para minha distracção.
- Tudo bem, então onde vamos? Não conheço nada aqui...
- Vamos à tia Arminda, ela tem sempre o melhor peixe fresco da terra...
- Concordo plenamente...também me apetecia um peixinho!
- Estás pronta?
- Claro que sim! Vamos!
Em menos de nada estavam sentados à mesa do restaurante, com vista para o mar, pediram uma garrafa de vinho branco gelado para acompanhar um peixe que ambos adoravam, imperador.
- Então como correu a tarde ? Houve avanços na história? - Perguntou curiosa.
- Sim, foi produtivo consegui escrever algumas páginas foi bom.
- Foi impressão minha ou recebeste visitas?
- Sim recebi!
- uhm!
Raul não adiantou muita conversa, e Leonor ficou furiosa por ele não ter desvendado o mistério da visita. O jantar chegou e Raul perspicaz como só ele era percebeu que Leonor estava aborrecida.
- Está tudo bem Leonor ? Pareces aborrecida? Algum problema?
- Não, nada de especial, isto passa!
- Queres falar sobre isso?
- Não, por favor não faças perguntas!
Raul podia ser muita coisa, mas burro era coisa que não era! Sabia perfeitamente o motivo da mudança de feitio de Leonor, mas não lhe queria dar o gosto de lhe revelar a identificação da sua visita desta tarde. « Vais sofrer Nô...vais...não há nada a esconder, mas pela forma que perguntaste pareces ciumenta....e eu adoro mulheres com um pingo de ciumes...» pensou ele enquanto saboreava o peixe.
- Amanhã estou a pensar ir dar uma volta pelos arredores, estou aqui faz amanhã quinze dias e ainda não sai daqui, queria aproveitar para conhecer as aldeias aqui perto. - informou Leonor.
- Acho que fazes bem, há por aqui monumentos históricos lindíssimos. Se quiseres empresto-te um guia que tenho em casa, que me deram no posto de turismo.

Leonor concordou, mas ficou ainda mais aborrecida por Raul não se ter oferecido para ir com ela, começou a matutar na sua mudança de comportamento. « Não estou a perceber a mudança de comportamento...não estou mesmo» pensou Leonor enquanto olhava fixamente para o mar.
Raul tinha um grande defeito, adorava jogos e sabia que Leonor não tinha paciência e isso dava-lhe algum prazer. Sabia perfeitamente que ela queria que ele fosse com ela no dia seguinte conhecer as aldeias, mas para ele o facto de não ir, sabia que ia despertar uma certa curiosidade, de perceber porque não tinha ido.
- Fazes bem, em ficar a trabalhar tens mesmo que te dedicar à escrita. - Disse Leonor com ar mandona.
- Mas eu não vou ficar a trabalhar, tenho visitas amanhã e vou tirar uma folga...também preciso de vez enquanto dar descanso à escrita. - respondeu-lhe Raul com um enorme ar de gozo e esperando que ela lhe perguntasse quem seriam as tais visitas.
- Ahhh! ( com um ar de enjoada!) Claro que tens direito...até faz bem!

Leonor segurou-se para não lhe perguntar quem seriam as visitas, e Raul sem que Leonor percebeu-se esboçou um sorriso ao perceber que ela tinha se segurado para não lhe fazer a tal pergunta.
Acabaram de jantar e foram dar uma caminhada junto à praia para aproveitar a noite, que apesar de fresca estava bastante agradável.
Enquanto caminhavam ambos tinham vontade de fazer perguntas, mas com as manias de não darem o braço a torcer mantiveram-se calados a apreciar o mar, até que o telemóvel de Raul tocou.
- Olá minha querida, Sim está tudo combinado para amanhã! Espero-te por volta da hora do almoço é isso? Então fica combinado...não, não preciso de nada! Alias se vires que há correspondencia nova traz-me que pode ser alguma coisa importante. Então faz boa viagem, vem com cuidado. Beijinhos.
Raul sabia que não podia fugir das explicações, depois daquele telefonema, por educação tinha que se justificar. (...)

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Visita Inesperada...

por Clementine Tangerina, em 06.07.09


(...) Leonor admirou a simplicidade de Raul, afinal ele era "o" Nobel que tanto se tinha falado no último ano.
Raul não estava nem ai por ela não o ter reconhecido, para ele era até um alivio. Gostava que as pessoas se aproximassem por aquilo que ele era enquanto pessoa, e não enquanto escritor. Para ele eram dois mundos distintos. Um era o Raul, cidadão que gostava das coisas simples da vida e que fazia de tudo para ser discreto, o outro era o escritor que vivia das palavras e das frases que construía e que as oferecia aos seus leitores. Nunca desejou ser Nobel, nem estar no "top ten" de vendas. Queria vender os livros suficientes de modo a conseguir viver da escrita e nada mais que isso. Tinha tudo o que sempre desejou, a profissão que gostava e lhe dava prazer e uma família fantástica que o apoiava incondicionalmente, para ele tudo o resto eram adereços.
Leonor olhava fixamente para Raul e intrigada perguntou-lhe:
- Achas que as pessoas se aproximam muito de ti, por seres o Raul "Nobel"?
- Algumas sim, outras tenho a certeza que não...! - olhando para ela e sorrindo com as últimas palavras.
- Mas podemos esquecer esse assunto do Nobel ? Por favor "Nô" já basta de Nobel, de escrita...estamos aqui os dois, vamos aproveitar! - pediu Raul.

Quando Raul se silenciou, Leonor olhou para o relógio pendurado na sala e disse-lhe:
- Está na tua hora não esta? Disseste que tinhas obrigações às 16 horas!
- Sim tenho, mas posso chegar mais tarde, as minhas obrigações são com a escrita, gosto de tentar escrever pelos menos três horas de manhã, à tarde e à noite. Afinal é a minha profissão, por isso tenho que me dedicar a ele, como me dedicaria se fosse um trabalho de escritório das nove às cinco, mas eu posso fazer os meus horário e desde sempre me disciplinei para cumprir.
-Não te quero incomodar em nada, podes ir e voltar...enquanto arrumo a louça do almoço e leio umas páginas do livro que ando a ler, tu vais trabalhar!
- Ganhaste, vou então para casa...regresso mais tarde para um café, posso voltar ?
- Aahahah, que ridículo...nem te vou responder! Cá te espero!
- Até logo então!

Raul levantou-se, ainda passou pela cozinha para deixar alguma louça que trouxe da varanda, e rumou para casa.
Chegando a casa, tirou a roupa que trazia, descalçou-se e foi tomar um duche rápido. Gostava de se sentir fresco enquanto escrevia. Não gostava que nada fosse motivo para distracção. Ligou a aparelhagem da sala, colocou um chill-out e abriu as janelas que davam para a varanda. Começou por reler as últimas páginas da sua história, e agarrou o livro de notas onde tinha o percurso das personagens. Sabia que a história tinha que dar uma reviravolta e criar uma situação que agarrasse o leitor.
Leonor acabou de arrumar a cozinha,preparou uma máquina de roupa branca e enquanto ela lavava agarrou no livro e foi deitar-se na espreguiçadeira da varanda. De tempos a tempos olhava para a casa de Raul, na esperança de o ver trabalhar, e por vezes já se tornava num vicio...olhar para se recordar dos últimos dias com ele.
A roupa da máquina estava lavada, preparava-se para ir buscar uma bacia da roupa às traseiras da casa quando reparou que uma mulher se aproximava da casa de Raul. Morena, de cabelos escuros, muito bem vestida, apesar de estar com um ar descontraida, e o cabelo extremamente bem apanhado. Leonor perguntou-se quem seria tal personagem...ele nunca lhe havia falado de nenhuma mulher. Ficou com a pulga atrás da orelha.
A mulher bateu à porta, enquanto Leonor se escondia pela cortina da sala de modo a que ninguém a visse espreitar, Raul abriu a porta e olhou em direcção à casa de Leonor.
Leonor tentou continuar a acompanhar a mulher dentro da casa de Raul, mas ele tinha os cortinados fechados e não dava mesmo para ver nada.
Furiosa, agarrou na roupa e lá a foi estender contrariada. Sentia-se nervosa com toda aquela situação.
«Será que ele tem mulher e não me disse nada ? Será que é casado? a verdade é que nunca falamos disso...que ridícula que és Leonor...algumas vez tinhas hipóteses com um Deus Grego daqueles...e ainda para mais meteste a argolada de não o reconheceres...» - pensou ela para si própria!
Acabou de estender a roupa, e voltou para a varanda, fingindo estar a ler o livro, toda a sua atenção estava virada para a casa de Raul.
Começou a ouvir a porta a abrir-se, e agarrou o livro com maior firmeza e fez tudo para que aos olhos de quem a visse, estivesse concentrada a ler.
Raul acompanhou a sua visita à porta e despediu-se dizendo:
- Conduz com cuidado, liga-me quando chegares, beijos!
Leonor ouviu atenciosamente palavra a palavra da despedida de Raul, « liga-me quando chegares?!?! no mínimo estranho... só pode ser namorada...só pode...»!
Raul voltou para dentro de casa para regressar à escrita, e entre os cortinados da sala espreitou para ver Leonor que se mantinha a fingir que lia.
(...)


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